A importância das atividades manuais em meio à era digital

redacao 11 de novembro de 2013 0

Foto: Divulgação

No mundo em que vivemos é bastante comum notarmos crianças cada vez mais novas diante de alguma novidade tecnológica prontas para consumi-la por horas e horas. Tablets com rápido acesso à internet, celulares dos mais diferentes formatos com várias opções de intera­tividade, além de videogames com gráficos incríveis capazes de simular um grande cinema dentro de casa chamam a atenção dos olhos atentos dos pequenos.

Porém, o uso descontrolado dessa grande gama de aparelhos pode estar diminuindo o interesse da criança por uma porção de atividades extremamente importantes. “Ações como colar, recortar, colorir, desenhar são essenciais, principalmente quando se trata de uma criança. A educação infantil é uma das principais fases da formação do indivíduo, pois é nela que acontece o desenvolvimento da coorde­nação motora, a noção criativa, de organi­zação, reconhecimento de cores, aprimo­ramento do senso estético das coisas, entre outras funções”, explica Célia Pereira da Silva, psicopedagoga e professora de Pedagogia da Universidade Paulista (UNIP).

É notório que o acelerado movimento de globalização está presente na vida de todas as pessoas, mas principalmente envolvendo o universo infantil, é preciso algumas ponderações. “As tecnologias chegaram para ser mais uma ferramenta de estratégias para uso das metodologias e didáticas dentro das escolas e salas de aula já que passamos por um processo de transfor­mação global, mas em nenhum momento irão substituir as atividades manuais, posto que essas devam ser trabalhadas e incentivadas nas escolas e em casa”, ressalta Célia.

COM A INVASÃO TECNOLÓGICA, ESTÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL ATRAIR AS CRIANÇAS PARA ATIVIDADES FUNDAMENTAIS PARA O SEU DESENVOLVIMENTO, COMO RECORTAR E PINTAR.

Os pais precisam aprender a superar o desafio de dividir o foco dos filhos com outras atividades importantes para o futuro, porém muito menos atrativas. “Convivo com várias crianças diariamente e confesso que a briga é boa. Cada vez mais eles conversam sobre o que descobriram na internet ou no celular. Os jogos e equipamentos estão ganhando uma visualidade interativa, o que torna muito difícil a competição para nós, pais, mas acredito que com alguns materiais coloridos, bastante carinho e uma desenvoltura para contar boas histórias aos filhos, é possível fazer com que a criança sinta prazer naquilo também”, confessa Cássia Regina dos Santos, professora de Pedagogia da Faculdade Drummond e doutora em Humanidades e Humanização da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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O estímulo deve chegar à criança desde cedo. Cortar, recortar, desenhar são atividades inerentes para as elas, naquele momento é o começo de tudo. Principal­mente quando estão junto com mais crianças acontecem outras brincadeiras. “Elas gostam de tocar, abraçar, é o início da socialização. Pode ser massinha, pintura a dedo, tudo o que for concreto elas vão adorar e assimilar no decorrer do desenvolvimento. E é sempre importante que haja um adulto que oriente essas práticas”, completa Cássia.

A CONCORRÊNCIA TEM FICADO CADA VEZ MAIS DIFÍCIL. OS RECURSOS GRÁFICOS SÃO MAIS ATRAENTES AOS OLHOS DAS CRIANÇAS.

No ambiente escolar ainda é mais viável incentivar essas atividades, já que a criança fica todo o tempo sob supervisão. Em casa, pode ser mais difícil, já que na maioria dos casos, pai e mãe trabalham quase o dia todo fora e não conseguem ter o controle sobre as atividades da criança para vigiar, por exemplo, o tablet ou o videogame.

A psicopedagoga Célia ainda faz questão de frisar que cabe às escolas orientar os pais e familiares sobre o assunto. “Parto do princípio que todas as escolas de Educação Básica ofertem aos seus alunos aulas manuais, além de orientarem pais e familiares sobre algumas condutas importantes para seguir fora do ambiente escolar. Se a criança tem pais que passam a maior parte do tempo trabalhando, a escola passa a ser determinante ao longo de todo o processo de desenvolvimento”.

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TECNOLOGIA COMO ALIADA

Por outro lado, é preciso lembrar que não se deve simplesmente ignorar as novidades tecnológicas. As crianças de hoje (chama­das de Geração Z) são alunos nativos digitais da tecnologia, nasceram em um ambiente carregado desses recursos e dos benefícios que podem trazer.

“Quando aplicamos o uso tecnológico na educação, ele permite mais flexibilidade aos alunos nas mais variadas atividades propostas pelo orientador. Se o professor tiver iniciativa e criatividade, a utilização do computador pode facilitar a finalização de várias atividades manuais como pinturas, recortes ou colagem. Por exemplo, em uma pesquisa sobre Tarsila do Amaral é possível fazer as crianças apreciarem as obras com várias imagens, e com isso poderão ser instigadas a conversar sobre a pintora, suas cores e depois até recriarem outra obra, recortando e colando em cartazes para exposição na escola”, incentiva Célia.

“SE O PROFESSOR TIVER INICIATIVA E CRIATIVIDADE, A UTILIZAÇÃO DO COMPUTADOR PODE FACILITAR A FINALIZAÇÃO DE VÁRIAS ATIVIDADES MANUAIS COMO PINTURAS, RECORTES OU COLAGEM.”

O que deve ser evitado é a alienação provocada pelo abuso no consumo dessas tecnologias. São criados “mundos” alternativos, individuais, que fazem diminuir o interesse por relações sociais, além de fomentar desde cedo o desejo por um consumo exclusivamente baseado no status social.

“O ter não pode sobrepor o ser, principalmente quando a ideia é o status. De tudo devemos tentar tirar boas coisas na vida. Das tecnologias, professores e familiares têm totais condições de orientar as crianças para um futuro melhor. Devemos utilizá-la como um fim, de olho na melhoria de resultados e não unicamente como o meio do processo de ensino e aprendi­zagem”, finaliza Célia.

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Faculdade Drummond
www.drummond.com.br

Universidade Paulista (UNIP)
www.unip.br
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