A recepção aos turistas comprometida pela falta de comunicação

redacao 3 de setembro de 2013 0

Foto: Divulgação

Embora em todos os segmentos de atuação no mercado de trabalho hoje a fluência em um segundo idioma seja imprescindível, a realização dos megaeventos internacionais em solo brasileiro tem nos alertado constantemente para a necessidade cada vez maior do conhecimento de outras línguas.

De nada adiantará termos gastado milhões com estádios e infraestrutura turística para receber os milhares estrangeiros, se não pudermos nos comunicar com eles.

Em todas as cidades-sede da Copa de 2014 faltam placas de sinalização em pontos de ônibus, trens, metrôs, no tráfego para carros e em uma parte da rede hoteleira. E o setor de segurança pública, como ficará?

“Com a chegada dos megaeventos, o Brasil acelerou seu avanço na questão de sinalização turística, que há muito tempo demonstrava ser algo inexistente ou ineficiente,” avalia Andrea Nakane, coordenadora do Curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi.

“Apesar de todo potencial apresentado pela nação, o investimento em condicionantes de apoio ao receptivo de turistas, sobretudo do mercado internacional, não se configura ainda no patamar pleno dos grandes destinos turísticos”, prossegue Andrea alertando para as dificuldades. “Ainda há muito a ser desenvolvido ou até mesmo aperfeiçoado, mas no raio formado pelas 12 cidades-sede, teremos já alguma alteração no quadro da sinalização turística, com ícones mundiais e no mínimo a tradução em outro idioma. Só é preciso salientar que o Brasil não só apresenta 12 cidades com vocações para o turismo e dessa forma a ação isolada não irá se tornar algo emblemático. O todo deve ser contemplado e não alguns poucos roteiros”, diz.

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Preocupada com a recepção aos turistas estrangeiros em destinos que excedem as cidades-sede da Copa e das Olimpíadas, a coordenadora revela que ainda é baixo o número de pessoas com fluência no inglês, o que pode ser algo muito problemático.

“A questão dos profissionais terem fluência em outro idioma, no mínimo, é uma necessidade justificada, sobretudo pela pouca amplitude da língua portuguesa no mundo e isso não ocorre de momento. A cada crescimento do número de visitantes estrangeiros ao País – hoje segundo dados do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e Ministério do Turismo, estamos com a totalização de 5,7 milhões de turistas internacionais – essa demanda só aumenta. Naturalmente, a genuína hospitalidade brasileira ganhou até então o imaginário turístico, porém em um segmento com foco em serviços, no qual o acolhimento é peça-chave para a percepção de excelência e inclusão, essa falta pode ser problemática,” revela.

OUTROS SERVIÇOS

O setor de segurança sofre também com a falta de fluência em outros idiomas. “O investimento mais crucial seria abastecer as bases policiais localizadas em pontos de maior fluxo turístico com folhetos básicos sobre a localidade e se possível terem conexão com um sistema 0800 para atendimento poliglota vinculado e subsidiado pelo Ministério do Turismo. Como os índices de furto e criminalidade junto a turistas crescem vertiginosamente no mundo, uma oferta de campanha de atenção sobre cuidados e zelos que o visitante deve ter também demonstraria nossa capacidade de receber bem e nesse caso a contribuição das informações também concentraria nas bases policiais”, salienta a profissional.

De qualquer maneira, Andrea lembra que grande parte dos nossos profissionais em vários segmentos demonstram fragilidades na fluência do seu próprio idioma, ou seja, no próprio português, quem dirá numa segunda ou terceira língua. Esse é um problema, segundo ela, de educa­ção. “O investimento maior neces­sário é a própria educação, já que muitos brasileiros que trabalham no setor de serviços acabam por ter uma formação educacional limitada, conforme índices apresentados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo próprio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Antes de tudo é preciso aperfeiçoar a língua portuguesa”.

Ainda de acordo com a coordenadora, investir posterior­mente no inglês e espanhol é vital. Um profissional para ter maior destaque, a partir do 4º idioma será ainda mais valorizado, sobretudo se a língua for considerada exótica e relevante, como o mandarim e o alemão. E finaliza afirmando que “as maiores potências do turismo no mundo não só têm seus principais players envolvidos na recepção de turistas, há uma verdadeira sensibi­lização e conscientização de mora­dores e comunidade no geral para receber bem àqueles que os visitam.

É notório que a população brasileira não está preparada para tal comportamento, pela ausência do conhecimento de outros idiomas. Porém de forma paliativa busca alternativas como encontrar outras pessoas que possam ser solícitas e atender a esse pleito”.

Por aí se vê o quanto a falta de um segundo idioma pode prejudicar não apenas o profissional de forma isolada, mas até a nação como um todo, como é o caso do que presenciamos na Copa das Confederações e estamos prestes a presenciar nos próximos eventos internacionais. Que eles nos sirvam de alerta!

DO YOU SPEAK ENGLISH? NO? E AGORA?

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A recente realização da Copa das Confederações no Brasil trouxe de volta uma antiga discussão: é mesmo tão necessário assim falar inglês? Com a visita de tantos estrangeiros ao País, e a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que também serão realizadas aqui, percebe-se hoje o quanto tínhamos de ter maiores parcelas da população falando a língua que é considerada fundamental no mundo globalizado.

“O inglês ainda é a língua principal de comunicação universal nos dias atuais. Temos o espanhol como um idioma desejável e o mandarim que, segundo estudiosos, será a língua do futuro. Contudo, o inglês ainda impera no que tange à comunicação entre os povos na atualidade”, revela a professora Telma Martins Peralta, docente da Escola de Educação e responsável pelo curso de português para estrangeiros da Universidade Anhembi Morumbi. “A necessidade do domínio de uma língua estrangeira, a inglesa na maior parte das vezes, é determinante ao ingresso no mercado de trabalho atual. A fluência sobretudo do idioma inglês como anteriormente disse, não é mais um diferencial, mas algo determinante. No entanto, é muito comum observarmos pessoas com o domínio do nível básico de inglês, mas poucos possuem a fluência da língua”, completa.

Por isso é tão importante o aprendizado desse idioma para quem quer ampliar suas possibilidades não só no mercado de trabalho, mas também em viagens e intercâmbio de vivências com culturas de todo o mundo. Porém essa não é uma tarefa fácil.

“A aprendizagem de uma língua estrangeira requer muitos anos de estudos. Portanto, não há fórmulas mágicas no que diz respeito à aprendizagem em pouco tempo. O que existe é um trabalho árduo, de muita perseverança daqueles que, de fato, buscam a fluência. É muito comum vermos alguém buscar com muito entusiasmo um curso de inglês e em pouco tempo deixá-lo, pois o esforço individual e o trabalho intenso são necessários”, prossegue a docente.

Quando questionada se é pos­sível ter uma fluência razoável do idioma em pouco tempo fazendo cursos rápidos, a professora Telma é taxativa: “Definitivamente isto não ocorre. Esta é uma crença ilusória daqueles que desconhecem os processos de apreensão de uma língua estrangeira. Há, também, uma questão mercadológica em torno deste assunto. O aluno poderá ter, após um ano de estudo intenso, um domínio básico do idioma”.

QUAL A ALTERNATIVA, ENTÃO?

Entrar já num curso de inglês é uma boa ideia. “Os cursos mais completos têm duração aproximada de 4/5 anos, e incluem o aprendizado das quatro compe­tências em uma língua, ou seja, Reading, Writing, Listening e Speaking. Muitas pessoas, no entanto, em muito menos tempo, já mostram grande habilidade nas diversas competências. Outras têm mais facilidade para uma ou outra. É importante ressaltar aqui que, quanto mais cedo se inicia o aprendizado de uma língua, mais fácil é, e com maior rapidez, obter sucesso nas quatro competências”, revela a professora Ms. Maria Thereza Garrelhas Gentil, co­ordenadora pedagógica do CLEM – Centro de Línguas Estrangeiras da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo ela, existem cursos mais rápidos, mas a carga horária é muito mais intensa: “O mais importante são as horas de uma aula. Muitos cursos intensivos são compostos de várias horas de imersão por semana e isto facilita o aprendizado, mesmo sendo mais breves que os regulares”.

Foto: DivulgaçãoPara ambas as docentes, é importante que o aluno, antes de matricular-se, defina quais são seus objetivos.

“As metodologias de ensino variam muito em função da demanda. Acredito que, no caso de um curso intensivo, a melhor alternativa seja o instrumental voltado às necessidades de qualificação de um dado segmento. Assim, o mais importante é saber a razão e a necessidade da aprendizagem da língua e a partir daí buscar cursos que otimizem tal demanda”, avalia a professora Telma.

De qualquer forma, ao escolher o curso, é imprescindível informar-se sobre as diretrizes do mesmo.

“Os interessados devem também buscar aulas pelo menos três vezes por semana, além de estudar paralelamente em casa. Ele deve atender às necessidades emergenciais dos estudantes. Contudo, o esforço individual é necessário. Acredito que para aprimorar a conversação o aluno deva procurar formas como assistir a filmes e a noticiários estrangeiros, ler livros, revistas, jornais, ouvir músicas, pesquisar assuntos na internet. Enfim, as pessoas devem buscar informações sobre tudo aquilo que as cerca”, revela, enfatizando um detalhe que não deve ser esquecido: “É importante reforçar: não há fórmulas mágicas. O esforço é individual e necessário”.

Já a mestre Maria Thereza dá uma orientação quanto ao melhor método: “O comunicativo é o ideal. Ele usa as quatro competências para fazer com que o aluno entenda e seja entendido. Hoje fala-se em inglês internacional, o inglês independente de ser americano ou britânico. O aluno ouvirá diferentes sotaques para poder entender diferentes naciona­lidades falando o idioma”.

ALGUMAS DICAS

Ambas as professoras dão sugestões para agilizar a fluência do idioma, após o aprendizado normal, em sala de aula.

“O ideal é que o treino seja diário. É falando que se aprende a falar; é escrevendo que se aprende a escrever; quanto mais ouvimos, mais aprimoramos a compreensão”, aconselha a professora Telma. Já Maria Thereza aposta na internet: “Com a expansão da inter­net, ficou muito mais fácil também conseguir praticar uma língua estrangeira. Pode-se conversar com pes­soas de todo o mundo, fazer aulas de conversação on-line, ver filmes, seriados e ouvir músicas”.

As duas evidenciam também o intercâmbio como forma excelente de aprendizado e vivência. “A imersão de 24 horas ao dia para quem já tem conhecimento só poderá agregar mais e otimizar aquele já consolidado. Recomendo a todos aqueles que têm condições para tal”, finaliza a professora Telma.

POR ADAILCE MAGANHA

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Universidade Anhembi Morumbi
www.anhembi.br 

Universidade Presbiteriana Mackenzie
www.mackenzie.br

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