Alienação parental, o lado triste de uma separação

redacao 4 de outubro de 2013 0

Foto: Divulgação

O assunto que já foi tema de novela aponta um caso comum a ex-casais: quando um dos genitores faz de tudo para que a criança rompa os laços afetivos como outro. Na vida real, pais e mães extrapolam a barreira do bom senso, envolvendo os filhos em brigas e discussões. “Insegurança, agressividade, desinteresse pelo mundo que a cerca, identificação imaginária com o opressor ou o oprimido na relação são alguns dos desdobramentos possíveis da alienação na vida destes filhos situados no centro do conflito”, explica a psicanalista Helena Zimerman, Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Os filhos ficam confusos e temem magoar um dos dois, já que amam o pai e a mãe. Também se sentem inseguros, com baixa autoestima e apresentam reações diversas. Enquanto alguns se mostram agressivos, outros se tornam desatentos e indisciplinados na escola. Segundo a psicanalista, no âmbito da clínica, verifica-se ainda o adoecimento recorrente, os quadros alérgicos e as manifestações de doenças psicossomáticas.

Cada criança é ‘um mundo psíquico’ construído por fantasias (boas e nem tão boas), sonhos e desejos. E os pais são referência dentro deste universo de forma fundamental. “Colocar a criança no lugar de objeto, frente a umconflito, que não é o seu, pode, por um lado, aniquilar o projeto de traçar um destino esperançoso para si mesmo e, por outro, incitar as fantasias não tão boas que também estão presentes no universo infantil”, pondera Helena.

Desta forma, a tentativa por parte de um dos cônjuges de destituir ou desqualificar a função do pai ou da mãe tem consequências muito sérias, porque abalam as bases sobre as quais a criança e o adolescente apoiam seu universo psíquico.

Foto: Divulgação

EM BUSCA DE UMA SOLUÇÃO

Para conter este tipo de atitude, foi criada a Lei 12.318. Sancionada no dia 26 de agosto de 2010, ela reconhece a Síndrome da Alienação Parental como uma prática sujeita a multa e até à perda da guarda da criança. Se durante ou após o divórcio ficar comprovado que o genitor com a guarda dos filhos tenta afastar o outro motivando sentimentos de rancor, ansiedade e medo nos mesmos, certamente irá sofrer as penalidades da lei. “Alienação parental é definida como qualquer interferência de um dos pais ou avós para que a criança repudie o genitor ou seu responsável legal”, define a psicóloga clínica e psicopedagoga Renata Benedito.

É interessante notar que nem sempre o pai ou a mãe são autores desta prática, em alguns casos são os avós que induzem ao afastamento do genitor ou da família dele. Os argumentos são vários, desde o clássico ‘eles não gostam de você’ até a implicância com a religião da outra família. A psicopedagoga alerta para que não se rotule qualquer atitude como alienação. “As pessoas são diferentes e pensam de forma diferente, então um simples comentário do tipo ‘você viu o que seu pai fez?’ já começa a ser mal interpretado.”

Para um diagnóstico preciso é fundamental a avaliação de um psicólogo. “Em algumas situações, a rejeição dos filhos pode acontecer naturalmente. Nas sessões lúdicas temos uma percepção maior da situação, onde conseguimos entender se de fato a criança está sendo motivada a repudiar o pai ou a mãe ou se está apenas sendo manipulada para falar certas coisas”, esclarece Renata.

Quando um casamento acaba, a dor da separação traz à tona sentimentos como raiva, ciúme, desejo de vingança e até a ideia de que o outro (pai ou mãe) não é mais necessário na vida dos filhos. Manter o diálogo e procurar a ajuda de um psicólogo são passos fundamentais antes de procurar um advogado diante de uma suspeita de alienação parental.

E uma dica importante: “Interaja com seus filhos, expresse seus sentimentos, incentive-o em seus talentos, tenha um ‘momento lúdico’ com eles, que pode ser desde jogos e brincadeiras até um passeio no parque”, recomenda a psicopedagoga.

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Helena Zimerman
Psicanalista, Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Especialização em Tratamento e Escolarização de Crianças e Adolescentes com Distúrbios Globais do Desenvolvimento pela USP
CRP 06/72424
Tel.: 2674-3539

Renata Benedito
Psicóloga Clínica e Psicopedagoga
CRP 06/61960-8
Tel.: 2916-0329

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