ARACY DE CARVALHO GUIMARÃES ROSA

redacao 23 de julho de 2015 0

Paris-1936

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa nasceu em Rio Negro, Paraná, no dia 5 de dezembro de 1908 e foi uma poliglota brasileira que prestou serviços ao Itamaraty, tornando-se também a segunda esposa do escritor João Guimarães Rosa.

Filha de pai português e mãe alemã, ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. Em 1930, casou-se com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, com quem teve o filho Eduardo Carvalho Tess, mas cinco anos após o seu nascimento ela se separou, indo morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha. Por falar quatro línguas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Seção de Passaportes.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país, um dos maiores absurdos de nossa história, visto todas as perseguições e crueldades pelas quais o povo judeu já era vitima, principalmente na Alemanha de Adolf Hitler. Aracy, demonstrando uma coragem e compaixão impressionantes, ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu. Nessa mesma época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, fazendo com que Aracy intensificasse aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte nas mãos dos nazistas que já iniciavam o seu plano perverso de eliminação sumária de todos os judeus residentes no continente europeu.

Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados da Segunda Guerra Mundial. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães. Aracy e Guimarães Rosa casaram-se, então, no México, por não haver ainda, no Brasil, o divórcio. O livro de Guimarães Rosa “Grande Sertão: Veredas”, de 1956, foi dedicado a Aracy.

Outro fato muito importante em sua linda história de vida, foi o auxílio que deu a compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964, entre eles Geraldo Vandré.

Aracy foi homenageada com a inscrição de seu nome no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA), sendo conhecida pela alcunha de “O Anjo de Hamburgo”.

Aracy enviuvou no ano de 1967 e não se casou novamente. Este ser humano tão especial morreu no dia 28 de fevereiro de 2011 em São Paulo, de causas naturais, aos 102 anos e foi sepultada no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, ao lado de seu marido, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Que a paz, amor, saúde, fraternidade, prosperidade e felicidade estejam sempre presentes em suas vidas!

Um forte abraço,

Alex Melo

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