Bie pode representar perigo aos atletas

redacao 3 de maio de 2016 0

Foto: Divulgação

A prática de exercícios físicos, apesar de ser recomendada para indivíduos saudáveis e alérgicos, pode representar um fator de risco para o desencadeamento de obstrução brônquica, rinite, sintomas cutâneos e anafilaxia.
O broncoespasmo induzido por exercício (BIE) caracteriza-se pela obstrução transitória das vias aéreas decorrente de exer­cício físico vigoroso, sendo seus principais sintomas a tosse, a dispneia e os sibilos (ruído característico da asma brônquica). Esta definição recobre-se de importância, pois um expressivo número de indivíduos no mundo moderno desenvolve atividades físicas e esportivas para manter a saú­de. Em pacientes com doenças crônicas, a atividade física contribui para aumento da capacidade funcional e respira­tória, melhora da qualidade e da expectativa de vida.
Em atletas, estima-se que a prevalência do BIE seja mais elevada do que na população geral, e depende do tipo de esporte praticado, do nível máximo de esforço desenvolvido e do ambiente onde o treino é realizado. “Estudos recentes avaliaram, prospectivamente, 659 atletas de ambos os se­xos, com idade entre 16 e 40 anos, da delegação olímpica italia­na (Sidney 2000, Beijing 2008 e Londres 2012), por meio de questionários e exames clínicos, para identificar a presença de asma e outras doenças alérgicas. A prevalência de asma foi de 14,9%, tendo sido observada uma elevação da frequência no período de 2000 e 2008 (11,3% vs. 17,2%)”, conta Flávio Sano, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Outro estudo identificou BIE em 25% dos atletas de elite brasileiros, corredores de longa distância. Em nadadores de alto rendimento, não asmáticos, foi verificada uma prevalên­cia de BIE de 39%. No futebol, em atletas profissionais com diagnóstico de asma e em uso de medicação a prevalência foi de 51%.
O BIE pode ocorrer virtualmente em praticantes de qualquer esporte, entretanto, acontece com maior frequência naqueles que competem em esportes de resistência (corrida de longas e médias distâncias, hóquei sobre o gelo, natação, futebol etc.), que têm uma demanda ventilatória maior e mais sustentada que nos atletas de explosão.

A QUALIDADE DO AR PODE INTERFERIR

Assim como a intensidade e duração da atividade física, a qua­lidade do ar respirado também pode interferir no desen­ca­deamento do BIE. Poluentes ambientais também precisam ser levados em consideração. Atletas que se exercitam em ambientes muito secos ou em ambientes com poluentes particulados ou gasosos, como maratonistas e nadadores em piscinas cloradas e cobertas, são mais suscetíveis ao BIE.
“Dependendo do tipo de esporte, até 50% ou mais dos atletas podem apresentar sintomas respiratórios após os exercícios, tais como dispneia, tosse, sibilância, aperto no peito ou desconforto respiratório, principalmente aqueles com asma”, explica o Dr. Sano. Entretanto, alguns deles podem não valorizar seus sintomas e achar que são naturalmente decorrentes do esforço físico ou relutar em relatá-los aos treinadores por receio de não serem qualificados como aptos para o esporte.

Serviço
www.asbai.org.br

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