CINEMA – “BLADE RUNNER 2049¨

redacao 21 de novembro de 2017 0

De início digo logo, sou heterossexual, sempre fui e não me venham querer me curar de minha heterossexualidade, nascemos para o que somos e estou muito bem assim. Bem, em que pese o fato deste texto nada ter a ver com isso, a primeira vez que eu o vi, eu tinha 16 anos, isso foi em 1982, ele era visualmente incrível, criativo, inovador, cheio de estilo e maneirismos, inteligentíssimo, à sua maneira ele era quase barroco, enfim, me conquistou logo nos primeiros 10 minutos, me entreguei por inteiro, nunca o esqueci, foi amor à primeira vista, daqueles arrebatadores.
Nesses 35 anos que se passaram, virava e mexia me vinha à memória aquele nosso encontro no Cine Bijou, até que por conta dessas coisas da vida ele resolve reaparecer. Marcamos de nos ver ali no cinema do Shopping Anália Franco e de cara bateu aquele medo, será que ele como eu envelhecera, perdera ele o seu charme, virara um daqueles politicamente corretos?
Com um frio na barriga fui mesmo sabendo o quão desconcertante e perigoso pode ser rever um grande amor. Para minha não surpresa, ele continuava visualmente muito interessante mesmo 35 anos depois, porém havia perdido seu charme, parecia que a tecnologia lhe subira à cabeça, estava muito moderno e pouco ou nada tinha a dizer, era confuso, em alguns momentos até entediante, mas perto do que temos visto por aí, posso dizer com certeza que ele ainda dá um caldo, valeu o reencontro nesses tempos de solidão e parcas opções.


Pra finalizar, posso dizer que na opinião deste humilde escriba, Blade Runner, o clássico do diretor americano Ridley Scot lançado em 1982, foi e é a maior ficção já apresentada pelo cinema, comparável a outras obras-primas de áreas diferentes, como a Divina Comédia de Dante ou a Aida de Verdi; já a continuação Blade Runner 2049 do canadense Denis Villeneuve lançada há poucos dias nos cinemas do Brasil, se muito é, é um livro de Paulo Coelho ou um musical legalzinho da Broadway, o que não é pouco para esses tempos de solidão e parcas opções, agora algo é inegável, o astro Harrison Ford, mesmo 35 anos depois e do alto de seus 75 anos, ainda dá um caldo, oh se dá.
Lembrem-se que desde o início eu disse que era hétero, e como sou, a replicante Sean Young de 1982 atestaria isso facilmente.

Walter Egéa é critico, músico, compositor e escritor formado pela Unesp-SP.

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