Cleo Pires, uma verdadeira ‘Encicleopédia’

redacao 9 de outubro de 2015 0

Foto: Fábio Guinalz / Fotoarena / Folhapress

Cursos pela internet, horas assistindo a séries de televisão e leituras com temas que vão de lógica a vegetarianismo. Todas as atividades descritas se encaixariam facilmente no cotidiano de alguém a quem se conven­cionou chamar de “nerd”, mas fazem parte do dia a dia de Cleo Pires, 32, considerada uma das atrizes mais sexys de sua geração.

“Cara, eu sou nerd mesmo. O Rômulo Neto (namorado da atriz) até me chama de ‘Encicleopédia’ (risos). Por falar nisso, você está vendo ‘Game of Thrones’, série americana da HBO? Porque tem uma personagem que se chama Myrcella. Parecido com seu nome, né? Você sabe a origem?”, pergunta ela à repórter Marcela Paes enquanto abre a geladeira da casa de sua assessora, nos Jardins, e devora uma sequência de fatias de queijo.

“Tentava me desvencilhar dessa coisa de ser sexy de várias formas. Mas achei que estava sendo tirana comigo mesma porque é natural. Posso ser o que sou: sexy, inteligente, delicada, forte, frágil, corajosa, medrosa e nerd. Não preciso ser uma resposta pra frustração dos outros”.

Mesmo bem resolvida com o rótulo, a atriz arrumou sua maneira para diversificar a forma como é vista: atuar em comédias, filmes de ação e qualquer outra coisa que a faça “se aprofundar em um combo de sentimentos e valores diferentes dos que vive normalmente”.

O papel na comédia “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, que esteve em cartaz nos cinemas recentemente, é um dos exemplos. No longa, Cleo interpreta uma garota que, no primeiro filme da série, aprende as regras do amor e, desta vez, se prepara para pedir o namorado em casamento em uma viagem romântica.

“Não me entendia como uma pessoa capaz de fazer comédia. Durante o primeiro filme eu ainda pensava: ‘Não vou fazer isso: é muito mico, é ridículo, é over’. Mas é muito bom se expor porque você fica livre, sabe?”, explica, para depois começar a enrolar seu próprio cigarro.

Foto: Fábio Guinalz / Fotoarena / Folhapress

O pai da atriz, o cantor e ator Fabio Jr., faz uma ponta também como pai da protago­nista no longa. Os dois já passaram períodos sem se falar, mas agora estão bem.

“A aproximação é mais emocional que física. Não nos vemos toda semana. Agora me sinto mais inteira. Porque é um lado da minha vida que, querendo ou não, me inspirou de várias formas e me fez ser quem eu sou”.

O músico Orlando Morais, marido da atriz Gloria Pires e considerado um pai por Cleo, foi um dos maiores incentivadores da recon­ciliação.

“Se não fosse por ele, nada disso existiria. Ele é o grande amor da minha vida porque é o cara que me escolheu como filha. Ele sempre quis que eu me desse bem com o meu pai. Me mandou uma mensagem esses dias me dizendo que estava muito feliz de me ver tão plena com isso, que eu estava madura. Ele é demais. Não tem isso de egoísmo”.

A relação com a mãe é mais próxima. Apesar de elas não conversarem diariamente, Cleo conta que ficou “morrendo de ciúme” quando soube que Gloria interpretaria uma ninfoma­níaca na novela “Babilônia”. “Eu gelei. Falei: ‘Nossa, que maravilha. Ainda bem que não estou mais na escola’ (risos). Sou muito protetora da minha mãe desde criança. Mas o legal é que você pode ter uma mulher madura, séria, que tem uma família e uma carreira lindas, fazendo um personagem desse. Ela coloca o poder de escolha da mulher muito em voga”.

“É complexo. Às vezes eu sinto que esperam que eu seja delicada, sedutora e agradável. E que esteja com a unha feita”. Segue Cleo: “E eu amo, amo estar com minha unha feita. Mas, entende? Em reuniões sobre persona­gens eu falava alguma coisa dando uma avacalhada… E um parceiro falava a mesma coisa e a sugestão era mais bem aceita. Mas não sei se é porque ele é homem e eu mulher”.

Para ela, a rejeição do público a “Babilônia”, que chegou a sofrer boicote incentivado por pastores evangélicos em razão das cenas do casal homossexual vivido pelas atrizes Fer­nan­da Montenegro e Nathalia Timberg, é “mentalidade de gado”. “É uma tristeza. Não só não estão querendo ver como falam coisas desrespeitosas. Por isso acho importante trabalhar questões de educação. Porque isso é a educação que dá, não a televisão”.

A mudança na trama, que diminuiu as cenas com casais gays e fez com que a persona­gem da mãe parasse de seduzir homens em série, é ainda pior para a atriz. “Acho louco que alguém vá transformar a própria obra por causa disso. Isso é bater palma pra maluco dançar. E isso me irrita. Não é bacana reprimir um trabalho que não está fazendo mal a ninguém”. Cleo reserva 10% de todo seu dinheiro para projetos sociais e afirma que se envolve diretamente com as causas. Após ir a Cabo Verde, criou um projeto de melhoria do abas­te­cimento de água nas escolas de uma região do país.

“As obras já foram feitas e o governo foi superlimpo. Tenho um pouco de pudor de falar dessas coisas. É um desafio pra mim, porque eu não quero parecer a boazinha. Mas também não sou boazinha, então foda-se (risos)”. Costumava separar 20% do que ganhava, mas diminuiu a quantia após conversar com um professor de Cabala. “Ele falou: ‘Olha, você não tem tanto dinheiro assim. Calma, querida. Separa 10% que é até um número energeticamente maravilhoso’”.

Na contramão de colegas que participaram dos recentes protestos contra o governo federal, Cleo não foi a passeatas. Também preferiu não tirar selfies usando uma camiseta da Seleção Brasileira. “Quando vejo esse frenesi de achincalhar as pessoas que estão no poder, fico um pouco angustiada. O Brasil é um país complica­dís­simo, gigantesco, tem uma herança grave de ser explorado. Mas por que temos que esperar tanto do governo? Por que a gente não pode, também, começar a se mexer, criar?”

Um dos projetos pessoais mais caros à atriz é atuar no exterior. Ela voltou recentemente de uma viagem a Los Angeles, onde fez contatos. “Quero muito fazer cinema nos Estados Unidos. E também em Bollywood (indústria cinematográfica indiana), que é um cinema que me toca o coração. Tenho planos ambiciosos. Não sei nem se posso contar, porque as pessoas já acham que eu sou louca. Vão me internar (risos)”.

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