Como competir com a dispersão na hora de ensinar

redacao 21 de janeiro de 2016 0

Foto: Divulgação

Todo mundo vê, em restaurantes, em cursos, no trânsito, em qualquer lugar, crianças e adolescentes não conseguem tirar os olhos do celular. Como será que eles agem na escola, durante as aulas? O que será que os professores têm que fazer, atualmente, para competir com celulares, tablets e outras tecnologias na hora de passar o conteúdo?

“Atualmente, o processo de escolarização pede urgentemente por planejamentos cada vez mais ricos em atividades estimulantes e que se utilizem da tecnologia como um instru­mento de ampliação das habilidades e competências escolares. É a qualidade dos conhecimentos oferecidos que amplia a atenção dos alunos, envolvendo-os no processo de aprendizagem escolar. Planejar, avaliar gradativamente e ampliar o uso de instrumentos pode ser o grande caminho de reconquista do desejo de aprender em sala de aula”, revela Rosana Giannoni, docente do curso de pós-graduação em Psicopedagogia da Universidade Anhembi Morumbi.

Entretanto, segundo a dra. Silvia Colello, professora dos cursos de pós-graduação em Educação e em Psicologia da Educação da USP, não é o que está acontecendo. Muitas escolas propõem o uso de tecnologias em sala de aula sem o devido embasamento pedagógico: “É uma falsa oposição. Se é verdade que os alunos entendem mais de tecnologia hoje, não necessariamente eles têm o espírito crítico para lidar com o volume de informações gerado ou lidar com a tecnologia de forma ética. O professor, mais do que nunca, é necessário para mediar, tornar os alunos mais críticos, mais cuidadosos e mais éticos, diante dessa nova realidade.”

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NOVOS CAMINHOS
Reconhecendo que professores, educadores e famílias estão muito perdidos diante do boom da tecnologia, a professora Colello enfatiza que “a gente tem de educar o aluno. A tecnologia na escola não pode servir como algo lúdico, precisa ser um veículo educativo.” Nesse sentido, a docente desenvolveu, recentemente, em conjunto com uma Ong, um game que possui vários programas, dos quais um é de educação em valores éticos, que estimula entre crianças e jovens a discussão e reflexão sobre temas sociais.

“O game propõe a situação e estabelece variáveis sobre as quais os alunos debatem e propõem soluções para os impasses que surgem. Eles começam brincando e no meio da brincadeira vem a discussão. São temas como violência, submissão da mulher etc..” Utilizado a princípio em escolas públicas e agora atingindo as particulares, o game trouxe aos envolvidos no processo a certeza, segundo a dra. Colello, que “precisamos de escolas e professores que estejam altamente capacitados para incorporar a tecnologia na educação”.

A professora Giannoni concorda com a dra. Colello, afirmando que “não basta a aquisição de novos instrumentos se ainda temos professores centrados no processo de ensino do século passado. Ensinar é se reciclar, ampliar conhecimentos, renovar caminhos, adquirir novas habilidades, compreender os recursos e utilizá-los”. E finaliza: “Tecnologia só faz a diferença se vier acompanhada de um professor preparado para a renovação tecnológica. Formar os professores e instrumentalizar os núcleos escolares é a voz do momento. Tanto a escola pública como a particular precisam atrelar renovação tecnológica e construção do perfil do professor do século 21.”

Serviço
www.5usp.br
www.anhembi.br

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