Conhaque, o néctar dos deuses

redacao 30 de maio de 2017 0
Conhaque, o néctar dos deuses

E eis que volta à cena um dos destilados mais aclamados entre os apreciadores de alto teor alcoólico aliado a sabor intenso.

Conhaque, brandy ou brande, como é conhecido, é a bebida resultante da destilação do vinho ou de suco de fruta fermentado, geralmente contendo entre 40 e 60% de graduação alcoólica por volume. O nome é indicativo da região da França Cognac, onde são produzidos ainda hoje alguns dos melhores do mundo.

Aliás, foi justamente na França, por volta do século XII, que surgiu a bebida, conhecida pelos espanhóis como “el sol embotellado”. Ali se produzia um vinho inferior, branco e de graduação alcoólica muito baixa, reverenciado na Grã-Bretanha e região. Contudo, os produtores do vinho à época lidavam com dois grandes problemas na produção: ele era muito delicado, se deteriorava rapidamente e também as taxas pesadas que o governo francês aplicava sobre as bebidas exportadas. Para driblar tais dificuldades, alguns vinicultores decidiram destilar uma parte do vinho. O álcool obtido, de alta graduação, muito concentrado, seria  exportado e  o consumidor acrescentaria  água, obtendo um novo vinho.

O concentrado também poderia ser utilizado no aumento da graduação alcoólica do vinho  branco comum.  Entretanto,  a ideia não deu muito certo. Então uma parte desse álcool não foi exportada, nem incorporada ao vinho. Simplesmente, ficou encostada, envelhecendo nos barris de carvalho. Com o passar do tempo, essa bebida adquiriu uma cor caramelo e perdeu muito de seu  ardor.  Nasceu, assim,  o  conhaque,  cujas  melhores marcas são produzidas, justamente, em Cognac, na região de Charente. E como exemplo de grandes casas produtoras temos Remy Martin, Martell, Henessy e Courvoisier.

O processo de produção
Assim como outras bebidas, a produção do conhaque começa nos vinhedos. Trata-se, fundamentalmente, de videiras da variedade Ugni Blanc instaladas sobre o terreno de calcário na região de Charente que, segundo os experts no assunto, dão à fruta muito de seu sabor peculiar.

Depois de colhida a fruta, inicia-se o processo de vinificação, através do qual é extraído um vinho ácido e de baixo teor alcoólico. No entanto, os charentinos descobriram que destilando duas vezes esse produto (ou seja, levando o vinho à ebulição e recuperando a parte da bebida com maior proporção de álcool) seria possível conseguir uma aguardente deliciosa. Uma vez obtido o “eau de vin”, o produto fica em repouso em barris de carvalho por anos e anos. Nesse período, vai adquirindo a cor âmbar, própria do conhaque. E também é nessa fase que recebe o gosto peculiar concedido pela madeira. Só então está pronto para receber outros destilados que o transformarão em aguardentes de diferentes idades.

Dificuldades da produção
O que diferencia um conhaque de outro é justamente o tempo que ele passa nos barris de carvalho, já que como se sabe, ele não continua sua evolução na garrafa. Existem produtores que hoje têm conhaques em barris há mais de 190 anos, como dizem, é verdadeiro “ouro líquido”.

E é por isso que os especialistas hoje explicam que embora o negócio seja lucrativo para quem está nele há muito tempo, para os novatos não compensa o investimento. Afinal, a produção demora décadas, é difícil e caríssima. Apenas para citar um exemplo, a Casa Delamain, uma das destilarias mais antigas do mundo, produz por ano o equivalente ao que a líder de mercado produz em dois dias. Já a Hennessy, número um do ranking e que funciona desde 1765, vende 50 milhões de unidades no mundo todo. A cifra equivale a um terço das garrafas desse destilado comercializadas por ano e à soma das vendidas pelas casas Martell, Rémy Martin e Courvoisier.

Não é à toa que o conhaque hoje é tão apreciado no mundo todo, por ser sinônimo de sofisticação e bom gosto. O preço de uma garrafa não é nada convidativo. Mesmo assim, o grande escritor Victor Hugo o chamava de “néctar dos deuses”.

É uma bebida para ser degustada pura, após as refeições, como digestiva. Mas convém lembrar, na hora de comprar uma garrafa desse ouro líquido, que desde 1909, por lei, só se pode chamar de conhaque a bebida produzida na região de Cognac, que abrange as cidades de Saintes e La Rochelle.

O Rei dos Conhaques
Criado em 1874 pela Maison Rémy Martin, o conhaque Louis XIII pode ser traduzido como uma “experiência única e esplendorosa”. A garrafa de 700ml custa R$ 9,5 mil e pode ser encontrada nos hotéis Fasano, Emiliano e Unique e no empório Santa Marta, todos localizados em São Paulo.

Fonte:
revista-mensch.blogspot.com.br

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