Educar a criança para o trânsito é tarefa dos pais

redacao 6 de abril de 2018 0
Educar a criança para o trânsito é tarefa dos pais

 

Matando mais que muitas guerras, o trânsito das grandes cidades está cada vez mais caótico, principalmente para os pedestres e as crianças. Só para se ter uma ideia, em todo o mundo, a cada quatro minutos, uma criança morre vítima do trânsito, segundo dados da Ong Criança Segura. No Brasil, de acordo com o Datasus, em 2012 foram 4.580 mortes, sendo destas, 38% por atropelamentos.

Para a especialista em mobilidade da Perkons, Idaura Lobo Dias, para reduzir estes números é importante orientar as crianças sobre como se comportarem quando pedestres e ocupantes de veículos. “Atividades lúdicas ajudam a criança a entender, reconhecer o comportamento adequado para cada cenário e ter consciência dos limites e das capacidades que deverá desenvolver para estar no trânsito. Assim, a criança aprende brincando”, afirma a especialista, que lembra que o projeto Trânsito Ideal possui um link com propostas de atividades para trabalhar o tema com crianças, como sinalização, as cores do semáforo, cuidados ao atravessar a rua, direções e a importância da faixa de pedestres e da cadeirinha.

TRANSITAR É LIÇÃO NA ESCOLA
Em algumas escolas, trânsito também é assunto para a sala de aula. De acordo com a psicopedagoga e vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR), Esther Cristina Pereira, a conscientização sobre a importância da educação no trânsito pode ser trabalhada de forma ampla através de uma série de ações, tanto em sala de aula como em projetos extracurriculares e multidisciplinares. “As possibilidades de trabalhar o tema são infinitas. Com criatividade, os professores podem fazer com que os alunos reflitam sobre a questão por meio de jogos, filmes, leituras, teatro, atividades artísticas e até mesmo pela observação de como eles transitam pela escola, fazendo um paralelo com o trânsito das ruas. Vivenciar o tema e trabalhar com situações reais de forma lúdica torna o aprendizado muito mais prazeroso e eficaz”, sugere.

Os resultados deste trabalho, desde cedo, segundo Esther, são cidadãos conscientes de suas responsabilidades perante a sociedade, tanto no trânsito quanto fora dele. “O mais interessante é notar que eles aprendem e chamam a atenção dos adultos para a questão, alterando o comportamento da família no trânsito. Eles se tornam pequenos ‘fiscais’ e passam a observar e a ‘denunciar’ as infrações cometidas pelos pais”, complementa.

Já para psicóloga especialista em comporta-mento de trânsito e diretora do Departamento de Crimes de Trânsito e Perícias da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), Julieta Arsênio, o comportamento da criança ao transitar é influenciado não apenas pelas ações dos pais, mas também por suas relações interpessoais e condutas: “O senso crítico que se desenvolve na criança, e que será levado para a vida toda, é moldado por emoções que ela ainda não sabe lidar de forma adequada, tornando-a insegura e fragilizada, quando não está inserida num meio familiar adequado”, diz. A dica da psicóloga para formar cidadãos mais conscientes é começar em casa. “Se nos comportamos adequadamente no meio em que vivemos, com certeza seremos cidadãos mais conscientes e cordiais no trânsito. Não se educa com exemplos negativos e sim com bons exemplos”, finaliza.

Serviço
www.perkons.com.br
www.sinepepr.org.br
www.abramet.com.br

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