Entre e fique à vontade

redacao 29 de setembro de 2014 0

Foto: Jonathan Higino

CLAUDIA MATARAZZO FALA SOBRE O PRAZER DE RECEBER BEM EM CASA.

Pode parecer brincadeira, mas quantas vezes você já se pegou pensando: ‘Vou receber em casa e, agora, o que usar?’, ‘Devo abrir o vinho que me trouxeram?’ ou ‘O que servir?’ É, e as perguntas não param por aí, acaba sendo inevitável não ser rondado pela tal insegurança de abrir as portas de seu lar para receber amigos e, até mesmo, familiares. Pensando nesses questionamentos, a revista Em Dia traz nesta edição dicas da jornalista especializada em moda, comportamento e etiqueta Cláudia Matarazzo para que você não erre na hora de recepcionar seus convidados. Com muita objetividade, simpatia e elegância, ela conversou com a equipe da revista em seu apartamento. Leia agora a opinião da especialista na arte de receber!

“ENTREI NA FACULDADE DE JORNALISMO NOS ANOS 1970, EU ERA TOTALMENTE ALTERNATIVA, HIPPIE, DENTRO DE UMA FAMÍLIA COMPLETAMENTE CONSERVADORA. ATÉ HOJE ELES DÃO RISADA E DIZEM: ‘ELA É ESPECIALISTA EM ETIQUETA, TEM 16 LIVROS SOBRE O ASSUNTO’. E BRINCO: ‘VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR”.

DO TELEFONE AO WHATSAPP
• “Hoje estamos nessa ‘onda’ do Facebook, em que as pessoas acabam convidando para um evento por lá. Mas não é recomen­dado, nem sempre a pessoa vai abrir o Facebook naquele dia. Fica aquela coisa de: ‘Você não viu? Eu mandei!’ Acho que o Face é apenas para refor­çar, por isso o ideal é ligar. Já o Whatsapp só para quem for muito amigo, aí tudo bem!”

CONVIDADOS NA MEDIDA CERTA
• “Para receber bem pelo menos 2/3 dos seus convidados devem estar sentados. Se ficar mais da metade em pé é incômodo. Por isso, é importante planejar o seu espaço. Depois disso, acho legal misturar pessoas, não pode ser sempre o mesmo grupo, senão fica muito chato. Acho que tem que ter uma coisa de timing da reunião. Então, se é um jantar não pode atrasar, as pessoas estão esperando para comer. Não adianta servir à meia-noite para o evento durar mais, se as pessoas chegaram às 21h. Aí o que acontece, todo mundo fica no aperitivo, bebe, está morrendo de fome, meio alto e aí na hora que come quer ir embora, porque já está com sono”.

O CONVIDADO ATRASOU, DEVO ESPERAR?
• “Se tem alguém atrasado, azar. Você deve acomodar todo mundo e aquela pessoa vai chegar, perceber que se atrasou, mas isso é consideração com quem chegou na hora. Você não pode deixá-los esperando uma hora e meia. Não há problema nenhum porque a falta de educação é de quem se atrasou”.

Foto: Jonathan Higino

E QUANDO VOCÊ É O CONVIDADO?
• “Em geral, quando você tem intimidade com o anfitrião, às vezes você leva algum mimo, como um vinho ou uma sobremesa, ou às vezes você não leva. Já quando é a primeira vez que você vai à casa de uma pessoa, sem dúvidas tem que levar. Agora, não sendo a primeira vez na casa de alguém que você não tenha tanta intimidade, é educado levar alguma coisa ou mandar flores no dia seguinte, que são sempre bem-vindas. Não precisa ser um arranjo grande, pode ser um vasinho, um buquê. Outra dica é enviar as flores na manhã do próprio dia do evento, assim a pessoa poderá decorar a casa com elas. Vale lembrar que o convida­do ligar para agradecer no outro dia, é uma delicadeza, e hoje podemos ainda mandar um e-mail agradecendo, é simpá­tico e substitui o telefonema”.

• “Quando o anfitrião ganha um vinho, por exemplo, se combinar com a comida é simpático abri-lo e falar: ‘Que delícia, fulano que trouxe, foi uma gentileza dele’. Mas às vezes não combina e não é deselegante explicar, ao contrário: ‘Nossa, esse vou deixar para uma ocasião especial e vou te chamar’. Pronto”.

O INEVITÁVEL TI-TI-TI…
• “Em casos de fofocas ou comentários inconvenientes, o anfitrião não pode tomar partido, tem que procurar mudar de assunto ou chamar alguém muito íntimo para resol­ver. Aliás, sempre é necessário escolher um coanfitrião, seja o marido, a mulher, uma cunhada ou um amigo que pode ter essa intimidade de falar coisas como: ‘Segura aí que vou na cozinha’. Ou ao contrário, pedir para a pessoa entrar na cozinha e ver se o jantar já está pronto”.

• “Ao convidar alguém para uma recepção em sua casa, você informa o menu, não questiona o convidado. Por exemplo, se vai fazer uma pizzada, pode até perguntar se a pessoa tem preferência por alguma. Ou no caso de um churrasco, é educado investigar se algum convidado é vegetariano, se sim, você deve providenciar algo especial para ele.

E sempre tem um chato que começa a falar de dieta. Falo na cara: ‘Você não veio aqui de dieta, né? Hoje nós não estamos de dieta!’”

“EM 2008 QUANDO FOI O BOOM DOS BLOGS EU ESTAVA NO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. COMEÇARAM A ME COBRAR, MAS EU NÃO TINHA TEMPO. AGORA QUE TENHO, COMECEI A ESTRUTURÁ-LO, BRINCO QUE SOU MUITO METIDA, NÃO É QUE COMECEI UM BLOG PEQUENININHO, COMECEI UM BLOG QUE É QUASE UMA REVISTA ELETRÔNICA, TEM SETE SEÇÕES FIXAS (RISOS)”.

MÚSICA AMBIENTE OU TV?
• “Sempre falo que quando é uma reunião menor é legal deixar alguma música instru­mental, não importa qual o teor, pode ser jazz, samba, o que for… Quanto menos letra tiver, melhor, para não interferir na conversa e fazer com que as pessoas interajam. Já a televisão ligada, só se tiver um grande evento, como a Copa do Mundo ou o último capítulo de uma novela. Mas assim, ao convidar, o anfitrião deve deixar claro que todos assistirão ao jogo ou à novela e o jantar será servido antes, depois ou durante, na frente da TV”.

• “Para quebrar o gelo, você sempre tem que falar da outra pessoa, que é de fora: ‘Gente, olha, a fulana faz isso’. Você a apresenta e a enturma. Agora quando se trata da turma de sempre, é legal falar: ‘Gente, e as novidades? Quero saber de tudo…’ Você tem que puxar assunto, começa a falar de manchete de jornal e temas que estão em evidência, como agora o assunto é eleição”.

Foto: Jonathan HiginoFILHOS E CRIANÇAS
• “Ao convidar pessoas com filhos, é compli­cado. Você tem que ter um filho mais velho ou um sobrinho. E brinco: você tem que subornar, pagar para. Não adianta dizer assim pro filho: ‘Fulaninho, você vai cuidar do seu priminho, né?’ Ele não vai cuidar, tem que pagar, é um suborno (risos). E saiba que você pode chamar a atenção da criança e falar: ‘Hoje é dia de festa, você não pode mexer aqui’. E ainda dizer pra mãe: ‘Gosto tanto dele como se fosse meu, por isso que falo (risos)’. Faço isso muito, dou cada bronca nas amigas da minha filha. As mães às vezes ficam meio assim, mas elas já estão acostumadas comigo (risos). Outro dia acabei com uma festa aqui! Eram três e meia da manhã e ninguém ia embora (risos)”.

ANFITRIÕES, MENOS É MAIS
• “Ao receber em casa, o anfitrião deve estar arrumado, confortável, mas tem que estar um pouquinho menos que os convidados, para não intimidá-los. Se você está à vonta­de, eles entram na sua vibe, isso é superim­por­tante. Você não pode estar engomada ou nervosa. Tem que aprender a relaxar, é um momento de prazer. Ao contrá­rio, você está abrindo sua casa, escolheu aquelas pessoas para irem lá, ninguém está lá pra criticar. Mas se dá alguma coisa errada, tem que falar: ‘Gente, olha que horror, não acredito (risos)’. O melhor é brincar com a situação”.

• “Coisa horrorosa esse negócio de fazer aniversário no bar. Não é errado, mas não tem graça para o convidado (risos). Fui criada de um jeito que se você é a pessoa que está convidando, deve pagar. Fico furiosa, às vezes vamos em três, quatro casais, mas poxa, morremos com uma grana, além de pagar a conta do aniversa­riante, nós pagamos a nossa! Garanto para você que as pessoas gostariam muito mais de um aniversário na sua casa, fica muito mais íntimo. Hoje você já tem serviço tercei­rizado, pode comprar uma comida conge­la­da, contratar pessoas para servirem alguma coisa, mas é na sua casa. Todos sentam, vão ao banheiro mais tranquilos, podem tirar o sapato, esticar a perna. No bar, eu brinco e digo que você fica com a bunda dura, sentado na cadeira dura e depois de três horas já quer ir embora. Na casa não, tem uma circulação, uma maior interação. Falo que é o conceito de privaci­dade, você está dando uma exclusi­vi­dade para os seus amigos”.

Para quem se interessa pelo assunto, vale acessar o blog da especialista: claudiamatarazzo.com.br, recém-lançado por ela ao lado de Mário Ameni, consultor em assessoria e planejamento cerimonial com quem trabalha há oito anos, e da amiga e jornalista Isabella Giuziu.

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