Estamos vivendo o Tempo Irreal?

redacao 12 de junho de 2013 0

Num desses descuidos de tempo, onde você sem querer se desliga das atividades e se põe a pensar, me peguei refletindo sobre a mudança do tempo, digo, a mudança do uso do nosso tempo, e cheguei à conclusão que podemos dividi-lo em pelo menos três estágios: o tempo normal, o real e o irreal.

O primeiro é aquele que aconteceu antes da era digital, quando precisávamos de fio, plugs e antenas. Imagine que o telefone fixo possuía linhas restritas e caras, não tínhamos celular, internet e o computador era algo ainda um tanto misterioso.

Nos deslocamentos ao trabalho, faculdade, restaurante ou para a casa da namorada ficávamos isolados do mundo, nos restando ouvir música ou noticiário, sempre preferi a música.

Em casa víamos as notícias pela TV, líamos jornais, revistas e sabíamos o que tinha acontecido há poucos dias ou horas. Predominava o bom papo, a reunião de amigos e os debates que podiam começar pelo futebol, passar pelas paqueras e se tornavam sérios a partir da mudança para religião e política. As coisas demoravam a mudar e as novidades eram muito aguardadas. O tempo parecia passar lentamente. Esse tempo que já passou, mas que não parece assim tão distante, chamo de “Tempo Normal”.

Já o segundo estágio é a chegada da era digital, onde fios, plugs, antenas, ruídos e sinais falhos começaram a parecer algo antiquado e as facilidades passaram a nos deslumbrar.

A espera do trânsito se transforma no momento para usar o telefone celular, fazer ligações aos amigos e colocar a agenda em ordem.

Os computadores passam a estar em todos os lugares, cada vez menores e portáteis com seus e-mails e internet. Da frente de sua tela você pode invadir uma biblioteca do outro lado do mundo. As informações estão disponíveis em qualquer lugar no mesmo momento em que acontecem. Esse tempo, mais moderno, acostumamos a chamar de “Tempo Real”.

A partir daí, passamos a buscar meios de estar cada vez mais interligados. E essa procura por eficiência e pelo uso do tempo nos fez muito exigentes.

Smartphones, tablets, Wi-Fi, computadores de bordo, GPSs e todas as incontáveis facilidades e multirrecursos disponíveis em tudo, fez do “Tempo Real” algo monótono.

As possibilidades são incontáveis. É comum vermos pessoas trabalhando e ao mesmo tempo conectadas ao Facebook, abrindo portais de notícias e escrevendo laudas. Nos restaurantes muitos preferem como acompanhamento ao prato principal, a sintonia de joguinhos ou mídias sociais no smartphone.

No carro, o GPS vai indicando o melhor caminho, enquanto verificamos no computador de bordo o consumo, horário e temperatura, ouvimos música, falamos ao telefone, enviamos um SMS, lemos mais um post no Face ou postamos uma foto no Instagram.

Outro dia meu sobrinho de seis anos, que adora futebol, assistia ao jogo pela televisão e “conversava” via Facebook com minha esposa e mais três amigos. Achei aquilo o máximo e me deu vontade de escrever sobre isso.

Fiquei tentando achar um nome para esta era em que estamos vivendo, que não é mais o “Tempo Real”, então cheguei à conclusão que agora estamos no “Tempo Irreal”, aquele em que as possibilidades dos nossos equipamentos nos levam a pensar que temos, mas que não temos, pois na verdade nos dividimos, nos distanciamos e nos estressamos.

Particularmente, prefiro um mix dos três tempos, em que utilizamos os maravilhosos recursos atuais, com a alternância da velocidade do tempo real e o bom papo do tempo normal. Acho que precisamos procurar o “Tempo Racional”, para viver uma vida ainda mais emocional!

Fiquem com Deus e até a próxima!

Paulo César Cardoso
paulopat@pacprommos.com.br

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