Fabiana Murer – Superação, glória e conquistas!

redacao 18 de abril de 2012 0
Fabiana Murer – Superação, glória e conquistas!

Estou muito feliz por ter a honra de ser a primeira atleta brasileira a conseguir. O Brasil é um país que merecia isso, que está tentando há muito tempo. Mas não há dúvidas de que temos sempre grandes atletas. Agora, as pessoas estão começando a conhecer o salto com vara. Está crescendo, as crianças estão interessadas na prova

Fabiana Murer – SporTV – 30 de agosto de 2011, após a conquista do título mundial no salto com vara

Nascida em Campinas, a paulista de 1,72 m, Fabiana de Almeida Murer, já tinha uma veia para o esporte desde pequena. Aos sete anos, praticava ginástica artística e aos 16, por incentivo de seus pais, decidiu seguir o atletismo. Foi nos treinos que conheceu o técnico e ex-campeão brasileiro de salto com vara Elson Miranda, com quem hoje é casada.

A atleta tem como sua melhor marca pessoal o salto de 4,85m, alcançada no campeonato Ibero- Americano de San Fernando em 2010 e repetida no ano seguinte durante o Mundial ao ar livre em Daegu, na Coreia do Sul, onde conquistou a primeira medalha de ouro brasileira em um mundial de atletismo. Até a época o Brasil acumulava somente cinco medalhas de prata e cinco de bronze.

Fabiana ainda é recordista sul-americana e foi considerada por dois anos consecutivos – 2010/2011 – a melhor atleta do ano no Prêmio Brasil Olímpico. Mas, nem tudo é feito somente de glórias. Para chegar ao sucesso, Fabiana passou por treinos intensos, lesões, cirurgias e outras dificuldades, como o caso do sumiço de uma de suas varas na final olímpica de Pequim, em 2008.

Hoje, com 31 anos, foi a grande responsável por tornar o salto com vara um esporte mais conhecido no País e está se preparando para as Olimpíadas de Londres, que acontecem em julho deste ano. Ela separou um horário em sua agenda apertada para atender a equipe da Em Dia, falando sobre o início de sua carreira, competições, a situação do esporte no País e, é claro, as expectativas para os jogos olímpicos, confira!

EM DIAVivemos em um país onde não há muito incentivo para o esporte. Como o atletismo e as oportunidades surgiram para você?

FABIANA MURER – Eu fazia ginástica artística e comecei a me sentir alta e velha. Queria parar, mas continuar no esporte, pois era o que fazia desde pequena. Meu pai viu um anúncio no jornal a respeito de um centro de atletismo em Campinas e disse: “Você não quer parar a ginástica? Vá fazer atletismo!”. Como eu me achava veloz, pensei em fazer corrida de velocidade e salto em distância, pois sempre fui uma das mais rápidas da ginástica. Hoje vejo que não tinha velocidade nenhuma (risos).

ED – Como foi esta transição entre a ginástica artística e o salto com vara?

FM – No começo foi fácil, pois eu já tinha o preparo da ginástica para me pendurar na vara, ficar de ponta cabeça, me jogar… Eu não tinha medo. Mas, ao mesmo tempo, foi difícil, pois foram quase dez anos de ginástica, tive que deixar a convivência com as amigas e mudei de ambiente. Além disso, estava iniciando com 16 anos no atletismo. Quando comecei a treinar era uma brincadeira mesmo, depois de um ano, fui bem no Mundial Juvenil e passei a levar mais a sério, percebi que tinha jeito para isso e decidi me dedicar, percebi que precisava de mais técnica, treinamento e enxerguei que o esporte era difícil. Mas gosto de desafios, de tentar me superar, então, resolvi enfrentar.

ED – Você acha que hoje as oportunidades são maiores do que quando você começou? O que deveria ser feito para melhorar?

FM – Acredito que melhorou um pouco mais, mas não muito. Temos poucos centros de treinamento, mas estão construindo novas pistas, especialmente porque o Brasil vai ser sede olímpica em 2016. As prefeituras e o Estado precisam ser incentivados para construírem novas pistas. Necessitamos também de bolsas de estudo. As escolas e os professores também devem incentivar o esporte, encaminhar o atleta que tem talento a uma equipe ou centro de treinamento. Ainda faltam esses tipos de ações no Brasil.

ED – Qual a sua opinião sobre a realização das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro?

FM – Acredito que o Brasil tem condições. Percebi isso pelo Pan-Americano, em 2007, pois achei que o Brasil não fosse conseguir fazer uma boa competição, mas conseguiu e vai fazer uma grande Olimpíada. Sei que o “brasileiro sempre deixa tudo para a última hora” (risos), mas tenho certeza que vai conseguir realizar os jogos olímpicos e espero que com bastante medalhas (risos).

ED – Como está sendo a sua rotina de treinos para as Olimpíadas?

FM – Comecei a treinar no final de novembro e optei por não competir no Mundial em que fui campeã há dois anos, buscando fazer uma boa preparação para Londres. Então, decidi passar um tempo maior só treinando para ter mais tranquilidade, pensar na técnica e melhorar meu salto para buscar uma medalha. Achei que foi muito válida essa experiência. No ano passado, fiquei um mês e meio em Portugal treinando com Vitaly Petrov, meu técnico ucraniano com quem fazemos intercâmbio desde 2001. Estou bem confiante com os treinamentos e acho que sairão bons resultados antes das Olimpíadas.

ED – Por ter conseguido resultados tão expressivos em outras competições, o Brasil deposita a confiança em você para conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos. Você sente alguma pressão com isso?

FM – De forma nenhuma. Tenho consciência de que é uma competição muito disputada, então sei que preciso melhorar minha marca para buscar uma medalha. Não é porque fui campeã mundial no ano passado, que vou ser campeã olímpica ou que vou conseguir uma medalha. Para isso eu preciso treinar tudo novamente, mas estou muito tranquila e consciente do trabalho que estou fazendo.

ED – Quais os cuidados com a sua alimentação?

FM – Como bastante, porque preciso me alimentar bem para ter energia já que chego a treinar seis horas por dia, o que é muito desgastante. Há muito tempo tenho o acompanhamento da nutricionista Daniele Volturi. Ela abre umas exceções para mim, me deixa comer umas besteirinhas de vez em quando (risos). Sinto falta do chocolate (risos), mas procuro comer só de final de semana, para ter uma boa alimentação, porque quanto menos peso eu carregar na hora do salto é melhor.

ED – Tem alguma marca pessoal que você deseja atingir nestes Jogos Olímpicos?

FM – Bom, gostaria de chegar aos cinco metros antes das Olimpíadas, existem algumas competições boas para isso. É um sonho chegar aos cinco metros, só uma pessoa conseguiu até hoje, que é a atleta russa Yelena Isinbayeva, então eu quero chegar nessa marca também. Alcançá-la antes dos Jogos Olímpicos me deixaria um pouco mais tranquila na prova.

ED – Falando da sua vida pessoal. Você é casada com Elson Miranda, que também é o seu treinador. Como faz para separar a vida pessoal da profissional?

FM – Conseguimos separar bem. Sei que dentro da pista ele é meu técnico e que devo respeitá-lo, claro que coloco minha opinião também e falo o que sinto. Acho importante esta relação de o atleta conversar, pois o técnico tem que saber o que estamos sentindo. Dentro de casa nós falamos bastante sobre atletismo e salto com vara, porque é a nossa vida, o que fazemos, mas é bem tranquilo, conseguimos separar bem o relacionamento pessoal do profissional e, ao mesmo tempo, tudo se mistura, mas nunca tivemos problemas com isso.

ED – Com tantas viagens ao redor do mundo para disputar torneios, você consegue tempo para conhecer os lugares que visita?

FM – Na maioria das vezes não, mas dependendo do calendário é possível. Normalmente chego dois dias antes da competição e me preparo um dia antes com um treino bem leve. No dia seguinte à prova já vou embora. Então, muitas vezes, é bem difícil conhecer os lugares, mas sempre quando volto, tento passear. Eu já tinha ido para Londres umas três vezes e não aproveitei a cidade, pois o hotel ficava longe do centro e as pistas também eram distantes. No ano retrasado voltei para competir e fiquei um dia a mais para poder visitar os pontos turísticos. Mas tenho um grande problema, que são as varas. Necessito de um equipamento especial para transportá-las ao aeroporto, não é qualquer carro que vai levar uma vara de quatro metros e meio (risos). Quando tenho alguém para deixar minhas varas ou para levá-las tento ficar mais um pouco.

ED – Que passeios costuma fazer quando você não está treinando ou competindo?

FM – Eu gosto de visitar meus pais, que são de Campinas. De vez em quando vou para lá relaxar, descansar um pouco, sair do ambiente do atletismo e das corridas, tomar um sol. Todas as férias que tenho, procuro viajar pra algum lugar do Brasil, pois vou muito para fora e acabo não conhecendo meu próprio país. Meus destinos favoritos são os de praia. O Nordeste tem lugares maravilhosos, dá para descansar bem.

Fonte: www.fabianamurer.com.br

Deixe uma resposta »