Fases de transição escolar – Saiba como orientar seus filhos

redacao 16 de dezembro de 2013 0

Foto: Divulgação

A vida escolar tem muitas ETAPAS características e próprias da idade e do ensino. Quem já esteve em sala de aula sabe exatamente como o início e as transições entre algumas séries podem ser angustiantes para alguns.

O ingresso na Educação Básica é o primeiro passo para que a criança se sociabilize e comece a estabelecer vínculos fora do ambiente familiar. Até a entrada na Educação Infantil, por volta dos três anos de idade, os pequenos convivem basicamente com a mãe, o pai, avós e pessoas do círculo familiar. Por este motivo, a entrada deles em um ambiente até então desconhecido pode gerar insegurança, medo… Mas, diante de uma situação inerente ao processo da vida e comum ao cotidiano de pais e professores, como lidar e amenizar os problemas que podem surgir diante disto? Há que se levar em conta ainda que as alterações não são apenas sociais, mas também físicas, psicológicas e, muitas vezes, de ordem política, como a mudança, entre outras, da grade curricular no decorrer dos anos.

O processo evidencia três fases bem delimitadas de mudanças para os estu­dan­tes: da Educação Infantil ao primeiro ano do Ensino Fundamental, do sexto ao nono ano – do Fundamental II – e depois a entrada no Ensino Médio. Tais momentos refletem transformações que podem fortalecer o estudante como indivíduo na sociedade, mas também podem causar males, se eles não forem observados e orientados.

A escola tem um papel muito importante durante o percurso, mas enganam-se os pais que acreditam que é possível esquivar-se da responsabilidade compartilhada. Somente a atuação conjunta e o apoio advindo de ambos os lados podem dar conta deste preparo. É o que afirma Rita Elisa Temple, pedagoga e mestre em Educação, que atua como orientadora educacional do Ensino Médio na instituição de ensino Mackenzie: “A escola só vai ter sucesso na educação se os pais contri­buírem”.

Porém, o que se coloca como óbvio, na verdade não o é no dia a dia, porque muitas famílias têm dificuldades em enfrentar a situação, em especial na adolescência, que coincide com a entrada no Ensino Médio.

A seguir, abordamos as fases e as transfor­mações que podem ocorrer com os estudantes em cada um delas e como a escola e a família podem ajudar.

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A PRIMEIRA MUDANÇA

A Educação Infantil abrange do maternal até o Ensino Fundamental I e II. A pré-escola, o período que antecede a educação obrigatória e que compreende crianças de zero a seis anos, é literalmente o início da vida escolar da criança. É quando ela deixa o convívio que era basicamente familiar para dividir um espaço novo e muito diferente com outros colegas. Apesar disso, as atividades desenvolvidas ainda estão focadas, sobretudo no desenvolvimento cognitivo, com atividades lúdicas e sem muitas regras, segundo a educadora Rita. Durante o período que passam na escola, as crianças ficam mais envolvidas com brincadeiras e grande parte das atividades é bastante divertida. Além disso, existe apenas um professor em sala, que é a referência para aquela criança. O aluno ainda não é avaliado por provas, mas sim pela observação e acompanhamento da “tia” em sala.

Eis que então, ocorre a primeira mudança com o encerramento da Educação Infantil e o acesso ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Segundo Rita, esta mudança, especificamente no colégio em que trabalha, é muito sutil e quase imperceptível para os alunos. “Eles não sentem muito a diferença aqui, porque o andar do Fundamental é o mesmo da Educação Infantil”, ressalta. Mas, ainda assim, é impossível eliminar totalmente a transfor­mação. “Eles sentem que algo mudou, porque não têm mais o tempo livre que tinham”. A partir do Fundamental I, a educação passa a ser mais sistemática e mais exigente, com atividades no dia a dia que valem nota. Contudo, ela explica que no Colégio, no primeiro ano do Funda­mental, o termo “prova” ainda não é introduzido para não gerar traumas.

E reforça que o primeiro ano é mais um período adaptativo, no qual o professor concede mais “autonomia” aos alunos durante as lições em sala. Neste momento, o apoio familiar é igualmente importante, porque eles vão começar a levar tarefas para casa. O objetivo da escola é começar a atrelar o ensino da disciplina à responsa­bilidade.

“É a moral que está por trás daquela lição”, afirma a orientadora. Já a partir do segundo ano do Fundamental I, ela garante que os alunos começam a sentir mais as mudanças. É quando a palavra “prova”, por exemplo, começa a ser mais utilizada em sala de aula pelo professor.

“É claro que sempre procuramos fazer de forma natural, mas todo processo de crescimento envolve alguma dor e desafios”.

“No primeiro ano do Fundamental é preciso seduzir o estudante a ficar em sala. Eles sentem que algo mudou, porque não têm mais o tempo livre que tinham.”

A pedagoga esclarece também que não é saudável eliminar totalmente a transição, porque a criança está crescendo, então, o desequilíbrio vai ocorrer para prepará-la para a vida.

TRANSFORMAÇÕES NA PRÉ-ADOLESCÊNCIA

O Ensino Fundamental II abrange do 6º ao 9º ano, dentro da Educação Básica. Esta passagem do 5º para o 6º ano – no encerramento do Fundamental I – já acarreta mudanças bem mais perceptíveis. Ela vem acompanhada de transformações físicas – pré-adolescência -, o que por si só já gera muita insegurança para meninos e meninas com idade entre 9 e 10 anos. É quando a vida escolar também muda, uma vez que os alunos terão diversas matérias como História, Matemática, Geografia e vão conviver com mais docentes. Até o 5º ano do Fundamental I existia apenas um professor regente. Há que se ressaltar também que as aulas agora têm maior duração, o que vai exigir mais organização e autonomia por parte do estudante.

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Para a pedagoga e professora municipal do Ensino Fundamental I Thaís Sodré Manzano, que acompanha de perto esta transição, é uma fase delicada. “Nesse momento, percebo que a entrada de muitos professores na grade curricular faz com que os alunos percam um pouco da sua referência que, anteriormente, durante o primeiro ciclo, era voltada para o professor polivalente, que regia a sala”, explica.

No segundo ciclo do Fundamental, são professores igualmente regentes, abor­dando diferentes conteúdos e com posturas e métodos diferentes. O pior é que os alunos precisam se adaptar rapidamente. “E não mais de um ano para o outro como no ciclo anterior, mas sim de uma aula para outra”, ressalta.

Ela sente que neste momento, as relações entre os colegas também se alteram. Esclarece ainda que se durante os primeiros anos do Ensino Fundamental os alunos mais populares eram os que mais se adequavam às regras da escola, nos últimos anos, os mais bem vistos pelas crianças são justamente os que extrapolam as regras.

Para Rita, também na passagem para o sexto ano, há realmente uma ruptura maior. É o momento de dar mais apoio e ajudar o aluno a passar por isso. Na instituição onde atua a maneira encontrada para minimizar o impacto foi selecionar professores que se enquadrem nas séries relativas para facilitar o processo. Isso faz com que já a partir do 5º ano, que precede a entrada no segundo ciclo, os professores atribuam mais “responsa­bilidades” e ajudem na organi­zação do estudante. Eles precisam aprender a dividir o tempo para poder dar conta. Ela afirma ainda que é um período em que eles precisam conquistar e se relacionar com vários professores e isso pode causar insegurança. Começam a surgir caracte­rísticas próprias da idade e as relações entre eles adquirem mais complexidade.

As exigências pessoais também são maiores, assim como o apelo sexual, já que hoje existe uma precocidade. Por todos os motivos apresentados, o diálogo com a família e a observação deste estudante é a chave para agir em possíveis problemas que possam surgir.

“Se durante os primeiros anos do Ensino Fundamental os alunos mais populares eram os que se adequavam às regras da escola, nos últimos anos, os mais bem vistos pelas crianças são justamente os que extrapolam as regras”.

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“A fase mais marcante é com certeza o ingresso no Ensino Médio, porque ocorre quando o estudante encerra a Educação Básica (…). Em termos acadêmicos e intelectuais, a mudança é grande, como por exemplo, a separação da disciplina de Ciências em três outras: Biologia, Física e Química”.

RUMO À VIDA ADULTA

Cada fase traz consigo uma característica que está vinculada à idade, ao ensino e a fatores físicos em geral. Mesmo que a escola e a família intercedam de maneira a apoiar o estudante, é impossível evitar que as mudanças ocorram. Aliás, as alterações são frutos não apenas da vida escolar, mas sim do convívio social que a criança passa a desenvolver na escola.

O sucesso ou o fracasso estão vinculados à maneira como isso ocorre ou é imposto pela escola. Por este motivo, ter o conhecimento das fases de transição auxilia pais e professores a ajudarem o aluno nesta caminhada, que é apenas o início da vida social e pedagógica.

Para Rita, a fase mais marcante é com certeza o ingresso ao Ensino Médio, porque ocorre quando o estudante encerra a Educação Básica. É também para muitos alunos a mudança de escola ou do espaço físico dentro de uma mesma instituição. Em termos acadêmicos e intelectuais, a mudança é grande, como por exemplo, a separação da disciplina de Ciências em três outras: Biologia, Física e Química. Mas isto é apenas a ponta do iceberg, porque é também o período em que o vestibular começa a fazer parte da vida do estudante. “É quando ele se vê diante, pela primeira vez, da escolha de uma profissão”, diz Rita.

É um momento de ruptura também com a adolescência e o jovem tem a necessidade de se colocar como adulto, se autoafirmar, mas ainda não sabe como.

Por isso, a observação familiar deve ser mais frequente e cotidiana. A orientadora educacional afirma que os pais devem estabelecer um diálogo franco no dia a dia, porque o estudante está em um momento escolar que coincide com a construção da sua identidade.

“Como costumo dizer aos pais, devemos manter um olho aberto e outro fechado nos jovens”, brinca. É o momento de dar o espaço necessário a ele, mas acompanhar todo este desenvolvimento de perto. Para Rita, a escola só vai ter sucesso na tarefa de formar um indivíduo forte sem fragilizá-lo, se os pais participarem e contribuírem.

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UM PONTO DE VISTA DIFERENTE

Diante de toda a repercussão do assunto, seja em escolas, em casa, na psicologia com extensa literatura e várias abordagens a respeito por parte da mídia, há quem discorde sobre este “impacto” das transições. É o caso do Professor Doutor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Valdir Heitor Barzotto. Para ele, a transição é uma invenção da psicologia educacional. Ele acredita que as crianças lidam com questões bem mais complexas, como a separação dos pais, a morte de um parente ou amigo e, que, portanto, a ênfase que se dá às passagens de séries é desnecessária. “Não nego que mudanças ocorram, mas acho que não se deve enfatizar isso, mas sim fazer com que a criança perceba a escolarização como de fato ela é”, explica.

O caminho proposto pelo profissional é agir com naturalidade sem abordar o assunto o tempo todo e focar apenas nos casos atípicos, ou seja, aqueles que derem sinais de não adaptação. “Às vezes, a criança está levando a situação normalmente, sem se dar conta, mas aí vem alguém e diz que agora ela vai ter um problema”, frisa. Para ele, isso sim pode começar a desencadear uma alteração, porque aquele estudante que até então estava agindo naturalmente, pode reagir imediatamente ao “problema” apresentado.

Sobre a atitude de pais e escolas, ele reforça que deve haver bom senso na abordagem do tema. Como professor de Pesquisa e Metodologia do Ensino de Português na Faculdade de Educação da USP, ele diz que está em contato direto com futuros professores. Além disso, presta assessoria para muitas escolas e por isso afirma que convive com os exageros por parte da psicologia da educação. Contudo, assim como Rita, ele reforça a necessidade de os adultos, sejam pais ou professores, prestarem atenção ao comportamento dos estudantes.

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Colégio Presbiteriano Mackenzie
www.mackenzie.br

Universidade de São Paulo
www.usp.br

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