Os meus, os seus e os nossos filhos

redacao 26 de março de 2013 0

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A dinâmica familiar contemporânea trouxe para a sociedade um modelo de família que vem causando algumas dificuldades para a adaptação. O que acontece quando um casal se une e cada um já possui seus filhos? Como adequar isso tudo? Já é difícil o homem e a mulher se entenderem dadas as diferenças de educação, de estilo de vida, a bagagem psicológica que cada qual traz dos seus antigos relacionamentos, que dirá então quando além de tudo isso ainda é preciso promover a harmonia não só do casal mas também dos filhos de ambos.

“Em primeiro lugar é preciso considerar que é uma situação difícil e que necessitará de muita adaptação, são pessoas novas, situações desconhecidas para todos,” pondera a professora Irani Tomiatto de Oliveira, coordenadora da Graduação em Psicologia da Universidade Anhembi Morumbi. E prossegue: “O que se espera é que os adultos tenham maior compreensão das dificuldades e procurem dar às crianças o que elas precisam nessa situação, que é segurança, afeto e também limites, porque muitas vezes os pais se sentem responsáveis por aquele mal-estar gerado, sentem culpa e por isso querem compensar os filhos fazendo tudo o que eles querem, o que não é útil.”

A Dra. Wanda dos Reis Sampaio, especialista em terapia de família, considera que “se a intenção dos parceiros é de manter um relacionamento estável e duradouro, cada um deve buscar ganhar um espaço na vida dos filhos do outro, deixando claro que não quer ocupar o lugar da mãe ou do pai dessa criança, e sim um novo lugar, que é o de cônjuge do pai/mãe. A criança está ganhando mais uma pessoa para cuidar dela.” A Dra. Wanda enfatiza, porém, que essa postura só deve ser tomada quando efetivamente o casal está visando uma relação estável: “Não exponha as crianças a esse tipo de estresse antes disso, pois se essa situação for frequente, a cada novo(a) namorado(a), ela abre espaço e depois perde quando o namoro termina. Ela vai evitar criar novos vínculos para não perder essas pessoas e quando surgir alguém com quem você realmente quer ficar, poderá ser mais difícil.”

12.cdrCiúme e Birra

Um sentimento que costuma aflorar nessa situação é o ciúme. E saber lidar com isso é vital para o futuro dessa nova família.

“Ciúmes são normais. Essas crianças já ‘perderam’ um dos pais, a situação de vida já não é a mesma, o acesso ao parceiro que saiu é mais restrito etc. Não dá para perder também a atenção daquele que ficou. Procure agregá-los aos poucos, em situações de lazer, onde a atenção não fique focada só na relação em si”, diz a Dra. Wanda, e a professora Irani concorda: “Ciúmes existem sempre, são naturais, até dos filhos com relação aos pais, das crianças com seus irmãos. A questão é aprender a lidar com isso. Se for exagerado é sinal de que há um problema maior, que a criança está se sentindo muito insegura, muito ameaçada, daí é necessário rever algumas posições. Mas ciúme é natural sempre que se tem de dividir um relacionamento com alguém.” Apesar de todas essas dificuldades, ambas as profissionais acreditam que é possível estabelecer a harmonia e ter um relacionamento muito saudável e afetuoso para todos.

“A grande influência que as crianças sofrerão na hora de adequação dessa nova dinâmica familiar é dos pais, sem dúvida. E dependerá dos sentimentos desses pais estabelecer mais rapidamente a harmonia ou não. Se esses pais souberam lidar com a separação quando ela ocorreu, se estão seguros com essa nova relação, que sabem lidar com seus sentimentos, saberão tranquilizar as crianças ao ponto de elas se harmonizarem também. Mas se estão ainda se sentindo culpados ou divididos será mais difícil ajudar os filhos”, reflete a professora Irani.

E a Dra. Wanda finaliza: “Respeito é uma via de mão dupla, tem que dar para receber. Não existem assuntos sobre os quais não se pode discutir e chegar a um acordo, principalmente quando há crianças envolvidas. Não se iluda: se o seu/sua parceiro(a) explora os próprios filhos, ou se é displicente com eles, também o fará com os seus. Para que haja uma convivência harmoniosa é preciso que o amor que os parceiros sentem um pelo outro se estenda aos seus respectivos filhos. Nunca fique com alguém que exija que você escolha entre ele(a) e seus filhos. Ele não vale a pena!”

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Universidade Anhembi Morumbi – www.anhembi.br
Dra. Wanda dos Reis Sampaio – Tel.: 2091-4937

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