Grappa, a “água da vida”

redacao 9 de março de 2018 0
Grappa, a “água da vida”

Em qualquer manual que se refira às bebidas alcoólicas no mundo, é possível encontrar o termo francês eau de vie (que numa tradução literal significa água da vida) referindo-se a todos os destilados de uva ou de sucos de outras frutas que sejam transparentes e de alto teor alcoólico. Nesta denominação encontram-se os brandys (destilados de uva) e os spirits (destilados de outros ingredientes). Conforme essa definição, a grappa é considerada um brandy, ou seja, uma eau de vie.

Na verdade, ela não foi sempre uma bebida sofisticada. Destilada do bagaço fermentado da uva, chamado de vinaccia, é originalmente destinada ao aproveitamento do álcool residual após a elaboração do vinho. A matéria-prima, portanto, é a sobra da fermentação constituída de cascas, polpas e sementes remanescentes da prensagem das uvas. Sua destilação é feita em pequenos alambiques de cobre, logo depois de o bagaço ser separado do vinho. Por isso mesmo, durante muito tempo foi considerada uma bebida rústica e barata, com a qual os camponeses que trabalhavam aos pés dos Alpes italianos e nas planícies abaixo de Veneza contavam para suportar o frio intenso. Mas ao longo do tempo, com a sofisticação de seu processo produtivo e também com as novas técnicas de engarrafamento, conquistou um status nos melhores restaurantes podendo hoje dividir espaço com conhaques e single malts de renome.

Atualmente é uma bebida seca, digestiva e cara (chega a custar mil reais a garrafa), que tem alto teor alcoólico (vai de 35 a 50%), mas os italianos ainda a misturam ao café (chamando a junção dos dois de caffè corretto) em qualquer hora do dia ou da noite.

Na gastronomia, é muito usada em drinques deliciosos, mas que devem ser apreciados com moderação, pois graças a seu elevado teor alcoólico, produzem os mesmos efeitos de qualquer destilado. No Brasil, já é comum ver pessoas apreciando um cálice de grappa após a refeição, nos melhores restaurantes italianos.

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