Infância cada vez mais curta. É possível reverter esse processo?

redacao 22 de abril de 2013 0

Foto: Divulgação

A dinâmica da sociedade contemporânea está diminuindo o tempo que nossas crianças se mantêm como crianças. Hoje elas se tornam adolescentes muito mais cedo do que há algumas décadas. Isso é bom ou ruim?

“O fenômeno da adolescência invadindo a infância, diminuindo sua “duração” já é observado há algum tempo. Penso que temos pela frente mais prejuízos do que benefícios. Como vantagens talvez tenhamos crianças mais tecnológicas, e, portanto, mais adaptadas a um mundo movido por teclas e telas. A tecnologia surge, então, como mais uma linguagem dos pequenos, além do desenho e da escrita. E se torna a ferramenta da nossa cultura, sendo assim, quanto mais acesso a ela ao longo do desenvolvimento, cada vez mais chances de empregabilidade esses indivíduos terão no futuro”, revela Leda Gomes, professora do curso de Psicologia da Universidade Anhembi Morumbi.

Prosseguindo, ela alerta que como desvantagens podemos citar que o excesso de informação tem contribuído para a diminuição da capacidade de focar a atenção e de compreender textos, por exemplo: “São crianças com dificuldade de concentração e de lidar com o silêncio. Além disso, a falta de convivência com amigos e vizinhos de verdade tem efeitos ruins sobre a socialização. Elas convivem pouco com outras crianças, aprendendo menos a brincar, negociar, ganhar e perder”.

Outra desvantagem é que segundo a profissional, a oferta de diversões e jogos de computador contribui para a epidemia de obesidade infantil e sedentarismo: “Temos crianças hipertensas, com colesterol e triglicérides altos, o que não se via quando a principal atividade da criança era a brincadeira que envolvia corrida, jogos, movimento”, continua, lembrando ainda que a atividade sexual precoce também pode ser vista como prejuízo dessa prematuridade da adolescência hoje: “De alguma forma as relações amorosas também foram perdendo o sentido e o romantismo, num exercício muitas vezes desenfreado da sexualidade”.

Já a pesquisadora e professora do curso de Psicologia Laura Calejon, da Universidade Cruzeiro do Sul lembra que “é importante considerar a dimensão assíncrona do processo evolutivo e auxiliar o sujeito, seja a criança ou o adolescente, a compreender seus recursos e as exigências próprias e possíveis para o momento vivido por ele, pela família e pelo seu grupo social. O caminho mais eficiente é a conversa, a reflexão e a disposição para ouvir, sem se assustar com o novo ou pouco conhecido. Certamente o diálogo e a escuta devem estar sustentadas pelo conhecimento tanto do processo evolutivo quanto dos desafios e transformações da sociedade”.

Por fim, além dos pais, a professora do curso do Centro de Educação, Filosofia e Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Maria Elisa Lopes, enfatiza que “a escola tem papel importante neste processo, os currículos escolares devem levar em conta as necessidades dessa criança hoje e investir também nas questões relacionais. E esclarecendo, da forma mais verdadeira possível, permitindo a construção de valores através de relações dialógicas.”

Fica aí a dica: já que não podem retardar a infância de seus filhos, pais e educadores têm a possibilidade de ajudá-los a resgatar os valores inerentes a essa fase, para que amanhã possam ser adultos melhores.

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Universidade Cruzeiro do Sul – www.cruzeirodosul.edu.br
Universidade Presbiteriana Mackenzie – www.mackenzie.br
Universidade Anhembi Morumbi – www.anhembi.br

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