Interromper ou não a carreira pela educação dos filhos?

redacao 19 de dezembro de 2014 0

GANHOS E PERDAS PESSOAIS E PROFISSIONAIS SÃO PONTOS A SEREM CONSIDERADOS ANTES DE A MULHER DECIDIR INTERROMPER A TRAJETÓRIA PROFISSIONAL PARA CUIDAR INTEGRALMENTE DOS FILHOS

Foto: José Manuel Gelpi DíazEm algum momento da trajetória profis­sional, a mulher pode decidir parar de trabalhar para cuidar integralmente dos filhos, a fim de priorizar a educação deles. Contudo, é importante que essa decisão seja “resultado de uma reflexão consciente, negociada com o marido ou parceiro/a, entendendo que ela [a mulher] também exigirá dele/a mudanças no modo de conduzir a própria vida e a vida do casal daí em diante”, recomenda o psicoterapeuta Dr. Plínio de Almeida Maciel Júnior, professor de Psicologia do Desenvolvimento Infantil e Adulto, na PUC-SP.

A psicoterapeuta Dra. Liliane Toledo, professora de Psicologia Organizacional e do Trabalho e de Orientação Profissional, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sugere algumas ponderações para a reflexão. “Muitas vezes a criança dá sinais de que necessita de maiores cuidados. Problemas escolares, comportamentos agressivos ou de elevado retraimento podem ser sinalizadores a serem conside­rados. É como se a criança emitisse um ‘pedido de socorro’ a seu modo, e merecem ser olhados com toda a atenção; o fator financeiro deve ser analisado em conjunto com o parceiro, para que se decida como será a administração do dinheiro na família, com vistas a evitar que a mulher, que antes tinha sua própria renda, sinta-se constran­gida; a questão dos laços sociais constitui outro elemento a ser considerado. Como a mulher poderá aliar o novo projeto à realização de alguma atividade para si, que lhe dê prazer e a coloque em contato com outras pessoas? Não se pode (também) deixar de avaliar as oportunidades no trabalho e o momen­to da carreira. Se o momento é fértil e a empresa, um bom lugar para se traba­lhar, talvez valha a pena expor a situação em busca de soluções alterna­tivas. Na atualidade, há organi­zações que, para não perder uma boa funcio­nária, reduzem a carga horária para meio-período e/ou oferecem a possi­bili­dade de trabalho à distância”.

SE O MOMENTO PROFISSIONAL É FÉRTIL E A EMPRESA, UM BOM LUGAR PARA SE TRABA­LHAR, TALVEZ VALHA A PENA EXPOR A SITUAÇÃO EM BUSCA DE SOLUÇÕES ALTERNA­TIVAS

Foto: DivulgaçãoPara o Dr. Plínio, “em primeiro lugar é preciso esclarecer se a decisão de deixar a trajetória para cuidar dos filhos é, de fato, da mulher, ou se resulta de uma pressão familiar”. E mesmo que seja uma escolha espontânea, ela “deve ter clareza do(s) motivo(s) pelo(s) qual(ais) está tomando essa decisão. Quanto mais esses motivos levarem-na à conclusão de que os ganhos pessoais implicados no cuidado dos filhos são mais importantes/satisfatórios para ela do que as perdas que terá com o abandono de sua atividade profis­sional, maiores as chances de que essa decisão seja benéfica para ela e para toda a família. No entanto, se ela se der conta de que esta decisão a fará abrir mão de algo fundamental para sua realização pessoal, há maior possibilidade de insatisfação e arrependimento futuros”, ressalta o psicoterapeuta.

Serviço:

Dra. Liliane Toledo
E-mail: ccbs.psicologia@mackenzie.br
www.mackenzie.br/psicologia.html

Dr. Plínio de Almeida Maciel Jr.
Tel.: (11) 5581-8141

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