Juliana Alves, beleza e determinação

redacao 4 de março de 2016 0

Foto: Danilo Borges

Juliana Alves já desfilava sua beleza nas telas das TVs brasileiras há quase um ano como dançarina do Domingão do Faustão quando, em 2003, participou da terceira edição do reality show Big Brother Brasil e tornou-se famosa. Com a fama, vieram os convites para as novelas: atuou em Chocolate com Pimenta (2003), Duas Caras (2007), Caminho das Índias (2009), Ti Ti Ti (2010) e Cheias de Charme (2012). No cinema fez participações nos filmes Vamos Fazer um Brinde de 2011 e E Aí… Comeu? de 2012.

Desde o início da carreira, preocupa-se com as questões sociais. Foi voluntária e uma das agentes de saúde do Gincana Aids, projeto da ONG Criola, que luta contra o preconceito às mulheres negras aos dezoito anos e apoiou em 2011 o projeto governamental “Levanta a Cabeça – Qual é a sua história?”, que tinha como objetivo valorizar a consciência negra. É formada em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e ingressou em Psicologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro com o sistema de cotas para negros.

Também sempre participou do carnaval, uma das suas paixões. Foi musa do Salgueiro e rainha de bateria do Império da Tijuca em 2004. Representou a Mocidade Independente de Padre Miguel, Renascer de Jacarepaguá, Vila Isabel e hoje em dia é a rainha de bateria da Unidos da Tijuca. Aos 34 anos de idade, ela fala com exclusividade à Em Dia sobre preconceito, fama e novos projetos para 2016. Confira.

Em Dia – Você começou a dançar balé aos 3 anos, conte um pouco como tudo começou…
Juliana Alves –
Eu tinha as pernas tortas e minha mãe recebeu a orientação de me colocar no balé para consertá-las. Fiz aulas de dança durante muitos anos e cheguei a dançar profissionalmente. A dança sem dúvida é uma das paixões da minha vida.

ED – Seu início na TV foi como bailarina do Faustão, como isso aconteceu e quanto tempo durou?
JA –
Em 2000 fui indicada pela minha professora de balé para fazer os testes de dança. Passei e dancei lá durante um ano.

ED – Depois participou do 3º BBB, isso foi um divisor de águas ou trouxe problemas para sua carreira?
JA –
Na época eu fazia muitas coisas ao mesmo tempo. Estudava para o vestibular, trabalhava na ONG Criola e fazia parte de um grupo de teatro amador. Nunca tive pretensão de ter fama, mas o BBB me deu oportunidade de fazer meu primeiro teste para novela na Globo. Após a primeira novela, eu fiquei um tempo sem trabalhar, me dedicando aos estudos para conquistar os trabalhos seguintes.

ED – Quando você resolveu entrar para o mundo artístico?
JA –
Não foi algo que eu resolvi. Aconteceu naturalmente desde que eu me entendo por gente. Fui bastante influenciada pela minha família, que sempre brincou com manifestações artísticas.

ED – Seu engajamento nos projetos que lutam contra o preconceito aos negros é grande. Como você vê o panorama atual?
JA –
Vejo que evoluímos bastante graças à luta de muita gente, mas como a questão racial é um problema histórico e o racismo no Brasil é velado, ainda temos muito a evoluir na questão da igualdade de oportunidades. Acredito no caminho da educação e ações afirmativas para que as novas gerações cresçam numa realidade melhor.

ED – Você é a favor do sistema de cotas para negros e pardos nas faculdades brasileiras? Por quê?
JA –
Não gostaria que as cotas existissem, mas as cotas só existem para reparar uma grande injustiça histórica. É um caminho que eu sou a favor enquanto vivermos numa sociedade tão desigual. E essa desigualdade não é uma opinião, está nas estatísticas.

ED – Embora tenhamos vários atores negros fazendo sucesso, ainda vê necessidade de mudanças nesse setor?
JA –
É só observarmos a proporção de atores negros fazendo sucesso em comparação com atores brancos. Não corresponde à realidade do Brasil.

ED – Você já passou por algum tipo de discriminação? O que isso trouxe de aprendizado na sua vida?
JA –
Como a grande maioria dos negros conscientes da realidade do Brasil, sim. Cresci entendendo que a discriminação não se baseia em algum problema meu, e sim por limitações da pessoa que discrimina. Entendo que precisamos estar atentos e enfrentarmos essa questão para que isso mude.

Foto: Danilo Borges

ED – Já desfilou em várias escolas de samba do Rio de Janeiro, como Salgueiro, Império da Tijuca e em São Paulo na Pérola Negra. Agora sairá como rainha de bateria na Unidos da Tijuca. Como é essa experiência?
JA –
Sou tijucana, morei muitos anos no bairro da Tijuca, onde existem várias agremiações. A primeira em que eu desfilei foi a Unidos da Tijuca em 2001 e há quatro anos sou rainha da Unidos da Tijuca. É uma experiência que vivencio durante alguns meses do ano, durante os ensaios e compromissos como rainha da escola e o dia do desfile é um momento em que tenho muito orgulho de representar e compartilhar nossa grande realização com a comunidade e os admiradores da Tijuca. É uma experiência de muito amor.

ED – Qual é a sua ligação com a Tijuca?
JA –
Tijuca é a minha raiz. Morei no bairro da Tijuca durante quinze anos. Sempre frequentei os ensaios da escola e hoje tenho nela uma das maiores alegrias da minha vida.

ED – Como consegue conciliar trabalho com os preparativos, que não são poucos, para o Carnaval?
JA –
Tenho dado muita sorte. Durante os quatro anos em que sou rainha, apesar de ter trabalhado muito, sempre consegui estar mais livre em janeiro, quando tudo se intensifica. Este ano terei o desafio de conciliar com a preparação para um filme.

ED – Quais são seus projetos e trabalhos em andamento para 2016?
JA –
Um longa-metragem que será rodado em São Paulo em fevereiro, pesquisas para o teatro e finalização de alguns estudos. TV no segundo semestre.

ED – Defina Juliana Alves em uma palavra.
JA –
Abençoada.

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