Mães superprotetoras – excesso de cuidado ou problema?

redacao 16 de junho de 2014 0

Foto: Divulgação

O ASSUNTO É AINDA UM DILEMA NOS DIAS ATUAIS DE DIFÍCIL IDENTIFICAÇÃO POR SER SUBJETIVO, PODENDO SE CONFUNDIR COM EXCESSO DE PREOCUPAÇÃO.

É natural e até biologicamente compre­ensível que as mães desejem proteger os filhos. Desde o período da gestação, as mulheres começam a nutrir um sentimento de afeto e cuidado para com o bebê. Abrem mão de algumas atividades e enfrentam, inclusive, restrições a bebidas e alimentos para garantir a saúde do feto. O carinho e a preocupação, portanto, são inerentes à condição de mãe.

Com o passar dos meses, o nascimento da criança e seu desenvolvimento, é presumível que os filhos tornem-se independentes. Segurar a mamadeira, sentar-se, engatinhar até o momento em que saem de casa são conquistas que devem ser valorizadas e incentivadas pelos pais. É importante que os filhos passem por frustrações, corram riscos e tenham discernimento do que é certo ou errado e liberdade para decidir. O papel da família é garantir o apoio e a orientação necessária para que a criança forme sua personalidade e consequentemente faça suas escolhas com responsabilidade.

Diante disso, como mensurar se a ação materna está sendo de proteção ou se está sufocando a criança, o jovem e até mesmo o adulto? Para a Professora de Psicologia e Doutora em Psicologia Escolar pela USP Roseli Fernandes Lins Caldas, a família deve observar o comportamento de mães e filhos. “Quando a mãe começa a decidir e até mesmo agir em nome do filho, deixa de ser uma atitude saudável e natural e passa a contribuir para problemas futuros daquela criança, tais como a insegurança, baixa autoestima e ansiedade”, diz Roseli.

INSTINTO MATERNAL

Ainda de acordo com Roseli, as mães não têm consciência de que pequenas atitudes podem prejudicar o comportamento dos filhos. Na verdade, a família de maneira geral, mas especialmente elas por estarem mais presentes, querem apenas evitar o sofrimento e que seus filhos não passem por experiências ruins.

É nesta busca que, muitas vezes, os papéis se confundem e elas acabam interferindo em excesso. Ao mesmo tempo em que procu­ram estimular a adaptação dos filhos em idade escolar e apoiam sua autonomia, por exemplo, muitas delas se veem perdidas e frustradas quando os filhos correspondem a esta expectativa. “Quando o filho dá sinais de independência elas se sentem inseguras”, diz. A maior contribuição dos pais e não somente da mãe é a orientação e o conselho: “É preciso ter consciência de que não será possível evitar que o filho sofra decepções, mas é possível dar recursos para que assuma a responsabilidade por suas escolhas”, reforça a doutora em Psicologia.

A profissional afirma que não existe um perfil ou característica específica que contribua para que uma mulher torne-se superpro­tetora. Por já ter atuado como psicóloga escolar, ela percebe que mães dedicadas exclusivamente à família e aos filhos costumam desempenhar mais esse papel. Ainda assim, há casos de mulheres independentes que também superprotegem os filhos, uma vez que não se dão conta das fases e desenvolvimento das crianças, por não participarem muito de seu crescimento, em razão do tempo. O certo é que esse conflito sempre existiu e com as mudanças sociais, históricas e até mesmo tecno­lógicas, o quadro tem se intensificado.

A linha é tênue entre a liberdade e o limite. Por este motivo, é importante desde a infância estabelecer uma relação de confiança mutua e ir testando os limites concedidos aos filhos.

“Conforme a mãe dá autonomia pra criança, ela consegue tomar suas próprias

Foto: Divulgaçãodecisões e vai tendo certeza de suas escolhas”, completa a professora, afirmando que possuir um autoconhe­cimento é fundamental, no caso da mãe, para também descobrir o outro e saber quando interferir ou permitir que eles mesmos resolvam.

CONSEQUÊNCIAS QUE PODEM CHEGAR À FASE ADULTA

A psicóloga Suzeley Batalha Leite, que atua há mais de 30 anos em atendimento clínico, garante que o reflexo da superproteção é péssimo para a criança, jovem ou adulto.

A diferença basicamente encontra-se no fato de que o adulto consegue buscar ajuda por si mesmo. Já a criança e o jovem dependem da interferência dos pais, que nem sempre percebem os sinais. “O adulto procura ajuda porque começa a se incomodar com o próprio comportamento”, enfatiza.

Suzeley, assim como Roseli, também esclarece que não há um perfil de mulheres para agirem de forma possessiva. Contudo, em razão dos casos já atendidos, o mais paradoxal é encontrar extremos dentro do mesmo comportamento de superproteção. “Há mulheres carentes, que não receberam atenção e agora querem suprir nos filhos, mas também há mulheres, filhas de mães superprotetoras, que receberam atenção demais e também superprotegem”, conta. Ela observa ainda que, geralmente, esta atitude é mais forte com o primeiro filho, em função até da novidade, do medo e insegurança provocados pela inexperiência. Mas ainda assim, é possível encontrar casos em que a mãe se comporta com todos os filhos da mesma forma. Para lidar com isso, a família como um todo deve ajudar a mãe a tomar consciência sobre seu papel. “Deve-se compartilhar sem sufocar, criando aquela criança para ser realmente independente, porque os pais não serão eternos”, finaliza Suzeley.

Serviço:
Suzeley Batalha Leite
Tel.: 98331726  – suzyblam@hotmail.com

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