O que você vai ser quando crescer?

redacao 14 de março de 2018 0
O que você vai ser quando crescer?

POR BRUNO PEIXOTO

Você sabia que o seu filho pode já ter escolhido o que vai ser quando crescer? Pois é. Aquele amor e vontade de cuidar das pessoas, a paixão pela leitura, aquele jogo de futebol que ele não abre mão quase todos os dias, as aulas de balé, o teatro da escola ou até as várias horas que ele passa com o professor de violão. Todos esses gostos e atividades praticadas durante a infância e adolescência podem ser grandes sinais para uma escolha profissional no futuro e até se tornar, quem sabe, exatamente a profissão escolhida para seguir carreira. Entretanto, em algumas situações, pais e filhos podem divergir sobre a vontade externada naquela fase da vida. Falta de apoio e desmotivação para determinada atividade são alguns dos fatores que podem fazer com que o sonho de infância não seja concretizado na vida adulta. No caso de José Nelson Guerra, 33 anos, por exemplo, o desejo pela carreira de moda sempre foi um problema em casa. “Desde pequeno ele já se vestia diferente dos amiguinhos. Sempre prestava atenção na roupa dos outros e também fazia questão de vestir roupas que não iam muito de acordo com a idade dele. Aos poucos ele foi traduzindo isso, até dizer que gostaria muito de estudar Moda na faculdade. O pai não admitia que o filho pudesse escolher aquilo. Ele dizia para todo mundo que o filho dele não seria homossexual. Tanto que sempre negou qualquer possibilidade de ajudá-lo com aquele sonho’’, conta Cristina Aparecida, mãe de José Nelson, que acrescenta: “Sempre fiquei do lado dele, sempre quis que ele fizesse o que realmente lhe dava prazer, mas não encontrava meios de passar por cima do pai’’. Mesmo com o apoio da mãe, José nunca quis desrespeitar a ordem do pai, por isso não se tornou estilista e hoje trabalha como agente de viagens.

DIÁLOGO É SEMPRE A MELHOR SAÍDA
Em situações como essas, que por sinal são bem comuns, o motivo pode estar na criação dos pais e nos valores que lhe foram atribuídos ao longo da vida. “Homens de gerações passadas tinham muita dificuldade em aceitar, não só profissões na área de moda, mas também enfermeiro, bailarino, modelo, entre outras’’, conta a psicóloga clínica especiali­zada em Medicina Comportamental, Sandra Almeida. Questão importante em horas como essas, são os diálogos que os pais precisam propor aos filhos nos momentos em que esses sinais vierem à tona. “É importante perguntar para a criança o que ela quer ser quando crescer e, especialmente na adolescência, conversar com o filho sobre o assunto para que ele perceba que tem um suporte familiar para decidir. O ideal é que os pais prestem uma espécie de consultoria aos filhos, para orientar sem influenciar, mostrando os prós e os contras das possíveis profissões, com conversas, algo que os aproxime’’, acrescenta Sandra. Já no caso de Carolina Dias, 32 anos, hoje veterinária especia­lizada em animais de grande porte, o apoio da família sempre esteve presente. “Não me lembro de nenhum momento em que ela falava sobre outra profissão, sempre foi veterinária. Isso começou desde uns 7 anos de idade. No balé, todas as vezes que ela dançou foi vestida de algum animal. Ela pedia isso para a professora, era um barato! Eu e o pai sempre ficamos do lado dela, percebíamos que aquilo fazia bem para ela, com todo aquele apoio ela parecia mais segura’’, conta Ana Maria, mãe de Carolina. O apoio ao filho é importante para que ele mantenha a “chama acesa” em determinado sonho de carreira. “Os pais devem aprender a escutar o filho, respeitar sua escolha e entender que ele só será bem-sucedido na profissão que gostar. E mesmo gostando, pode lá na frente optar por outra carreira’’, explica Sandra.Ainda sim, são tantos os fatores que podem levar a criança ou o adolescente até a escolha pela profissão ideal, sejam eles, do meio familiar ou social, que por vezes nem os pais conseguem nortear os filhos da melhor maneira. Em casos como esses, vale a pena levá-los a testes vocacionais ou apresentá-los a profissionais de diversas áreas, para que assim, permitam aos filhos uma visão mais ampla sobre o mercado de trabalho.

Serviço
Sandra Almeida Psicóloga Clínica especializada em Medicina Comportamental
CRP 53.383-1
Tel.: 2671-1855.

Deixe uma resposta »