Quando a menina vira mulher

redacao 12 de março de 2018 0

Foto: Divulgação

A menarca, nome dado ao primeiro ciclo menstrual, marca uma nova fase na vida da menina e a passagem da infância para a adolescência. Para ela, o momento é de dúvidas, transformações e necessidade inerente de apoio dos pais.

No entanto, o diálogo com os filhos nem sempre é fácil, ainda mais quando a intimidade está em jogo e questões como “quando devo falar com minha filha sobre menstruação?” e “como farei isso?” vêm à tona. Para a psicanalista Helena Zimerman, Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a própria garota pode mostrar curiosidade: “Isso acontece porque as conversas já rolam entre as amigas. Estar atento aos sinais e deixar o canal aberto para o diálogo é uma boa postura dos pais”.

A primeira menstruação, que normalmente ocorre entre 12 e 13 anos, deve ser discutida de forma objetiva e sem mistificações pelos pais.

A Dra. Helena ainda sugere que elas fiquem alertas ao colégio, pois é normal que o assunto seja discutido em aula. “As escolas abordam questões como anatomia, ciclo menstrual, puberdade, gravidez etc.. Os pais podem acompanhar o que tem sido dito e acrescentar sua posição sobre o tema”.

E o que fazer se a filha não quiser falar sobre questões íntimas? Para a psicanalista, os pais devem respeitá-la: “É necessário humildade de respeitarem esse apelo à privacidade sem recuar de seus papéis, que funcionam como referência para que, a qualquer momento, a menina possa recorrer”. Em contrapartida, às vezes são os pais que não se sentem à vontade para dialogar. Nestes casos, a Dra. Helena assegura que a transparência é a melhor saída: “Declarar aos filhos suas próprias dificuldades em estabelecer o diálogo e, ao mesmo tempo, indicar uma disposição legítima de ajudar, pode ser um bom começo para uma conversa”.

Meu corpo está diferente

O corpo muda com a chegada da menstruação. Normalmente, ela ocorre entre 12 e 13 anos, mas essa média varia de acordo com a etnia, características individuais e influências do meio ambiente, conforme explica a ginecologista Paula Bortolai Martins Araujo, especialista em Reprodução Humana e membro do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução (IPGO): “Sabe-se, por exemplo, que meninas com excesso de peso menstruam antes que as mais magras. Foi observado também que o maior nível socioeconômico e o consumo de produtos industrializados antecipam a menarca”. A Dra. Paula diz que hoje, aos 13 anos, 85% das meninas já menstruam.

Na mulher, as primeiras alterações físicas percebidas na puberdade são o desenvolvimento das mamas e o surgimento dos pelos pubianos e axilares, que ficam mais grossos antes da menarca. Lawrence Lin, ginecologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), ressalta que os pais devem prestar atenção nestes sintomas, que podem vir acompanhados por alterações na pele, como a acne. Lin também cita que ciclos irregulares são comuns na adolescência: “Isso ocorre por causa do amadurecimento do corpo e das glândulas. Tem-se também mais cólica menstrual porque o útero está amadurecendo”.

Primeira consulta com o ginecologista

Mas perante tantas mudanças, qual a idade certa para a primeira consulta da menina com o ginecologista? Para a Dra. Paula o ideal é buscar ajuda sempre que houver dúvidas: “Acredito que não exista uma imposição na idade para ir ao ginecologista. O médico pode ajudar os pais a explicarem estas transformações, informar sobre métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, vacinação e sequência natural dos acontecimentos na puberdade”.

A menarca ainda envolve o emocional, uma vez que corpo e mente caminham juntos. “Ambientes fortemente erotizados podem precipitar a menstruação. Mudanças comportamentais e emocionais estão ligadas ao fato concreto que emerge em seu corpo e também na fala daqueles que cercam a garota: ‘você é uma mocinha!’ Essa novidade na vida da menina deve ser tratada com delicadeza, excessos de comemoração ou desprezo total são extremos que não ajudam”, pondera a Dra. Helena. Para finalizar, a psicanalista lembra que mudanças de comportamento nesta fase podem ser tentativas da menina de lidar com o novo, inclusive com o fato de ser mocinha.

Serviço:
Helena Haenni Zimerman
Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Tel.: 2674-3539.

Paula Bortolai Martins Araujo
Médica da equipe do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução (IPGO)
www.ipgo.com.br

Lawrence Hsu Lin
Médico Ginecologista e Obstetra. Assistente de obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
www.hcnet.usp.br

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