Refeição em família – um hábito que precisa ser mantido

redacao 12 de março de 2018 0
Refeição em família – um hábito que precisa ser mantido

Foto: Divulgação

“AS PESSOAS BUSCAM ATENDER AOS ANSEIOS INDIVIDUAIS, MAS PODEMOS NOS ESFORÇAR E RENUNCIAR, LARGAR O CELULAR OU DEIXAR ALGUMA ATIVIDADE DE LADO PARA A HORA DO ENCONTRO EM FAMÍLIA”.

Antigamente, o hábito de reunir a família em volta da mesa para fazer as refeições era algo essencial para a base familiar e uma forma de respeito entre todos. Era essa a ocasião oportuna para contar o que aconteceu ao longo do dia, trocar experiências e demonstrar laços afetivos.

Porém, atualmente, esse encontro tem sumido das residências e é cada vez mais comum ver cada um dos familiares fazendo suas refeições individualmente, ficando em espaços separados da casa, usando o smartphone ou o computador.

Para o psicólogo clínico e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Aurélio Melo, estamos na época da hiperindividualidade do ser humano. “

Nos dias atuais é superdifícil conseguir promover uma reunião de trabalho para encontrar todos os funcionários de uma mesma empresa, pois cada um tem um horário e, infelizmente, aceitamos essa situação. É a mesma coisa na reunião familiar, aceitamos conversar com o pai, a mãe, a filha ou o filho por programas de mensagens instantâneas, pela falta de tempo e, principalmente, porque os compromissos individuais são muito mais importantes que os interesses da família. Como estamos caminhando no sentido da individualidade, cada um faz sua refeição sozinho ou em horários diferentes”, exemplifica.

Apesar desses fatos, Melo afirma que o encontro em família não deve ser deixado de lado. “Não é saudosismo ou moralismo, mas o contato humano é insubstituível, ninguém fez nada igual até agora. A reunião familiar é fundamental para que você esteja com o outro, olhe nos olhos, possa ouvir e falar. Isso nos humaniza, nos traz o senso de responsabilidade e ética. A partir do momento que se começa a individualizar, o encontro perde o sentido”, completa.

Foto: Divulgação

UM ESFORÇO EM COMUM

Mesmo com o processo de individualização do ser humano, Aurélio afirma que é possível resgatar o encontro familiar. “Desde que seja uma coisa boa para toda família. É fundamental estar sempre se humanizando, enxergando como o outro é importante, como um de nós e não como um estranho. Perdemos o sentido da palavra ‘nós’. Essas reuniões fazem com que troquemos de posição e para que possamos nos sentir mais um no mundo, um ser especial, desenvolvendo a noção de alteridade. Acho que é isso que está faltando para nós, estamos virando uma sociedade extrema­mente narcisista. Devemos valorizar ao máximo os aprendizados com os pais, para que possamos ser respeitados”, revela.

Outro fato que deve ser lembrado é que para promover o encontro na hora das refeições é preciso que exista um compromisso de todos os integrantes da família. “As pessoas buscam atender aos anseios individuais, mas podemos nos esforçar e renunciar, largar o celular ou deixar alguma atividade de lado para a hora do encontro em família. Existem casos também nos quais alguns membros chegam mais tarde e outros dormem cedo, mas cabe encontrar um horário em comum para reunir o grupo”, diz o psicólogo.

Já no caso de casas com filhos de diferentes faixas etárias, Aurélio recomenda tomar algumas atitudes para que todos possam seguir o horário das refeições. “Quando se tem um bebê ele não vai entender isso, mas no caso de crianças de quatro ou cinco anos, estes sim terão capacidade de ficar juntos naquele momento e compreender o motivo”, conta.

Ele ainda revela que tudo vai de encontro ao que os pais pensam: “O que acontece é que eles estão indo no sentido contrário e pensando assim: ‘Meu filho não gosta disso e não faz aquilo’, então ele vai se sentindo especial. Acredito que estamos pegando o caminho errado, pois o indivíduo precisa se voltar para a realidade concreta e não para o eu dele. E voltando aos pais, ainda se escuta também: ‘Vamos deixar o nosso filho em paz, pois ele está no momento dele’. A resposta é não. Ele tem que se voltar para o grupo e não para ele mesmo. Infelizmente o mundo está assim, os pais estão optando por suas prioridades, como atender ligações de amigos ou fazendo coisas que são importantes para eles. Porém, em alguns momentos, o grupo deve estar acima dos interesses individuais”, finaliza Aurélio.

Serviço:
Universidade Presbiteriana Mackenzie
www.mackenzie.br

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