Rodrigo Santoro de volta à telinha

redacao 12 de abril de 2016 0

Foto: Globo / Velho Chico / Caiuá Franco

“JÁ ME FAZIA FALTA, MAS, NÃO VOU TER A SENSAÇÃO REAL DE UMA NOVELA, QUE FICA SEIS, NOVE MESES EM CARTAZ. COMO SÓ CONSEGUI DOIS MESES DE LIBERAÇÃO DA HBO QUE, ALIÁS, FACILITOU MUITO MINHA VIDA, PARTICIPAREI APENAS DOS 24 PRIMEIROS CAPÍTULOS. MAS JÁ VAI VALER A PENA”.

A recente estreia de “Velho Chico”, da Rede Globo, no horário nobre, trouxe além da trama bem engendrada por Benedito Ruy Barbosa o presente de Rodrigo Santoro estar de volta às novelas, 13 anos depois. Sua última foi “Mulheres Apaixonadas”, em 2003, na mesma emissora. Depois disso ele só voltou algumas vezes aos estúdios da Globo para participações em séries ou programas especiais, como “Papai Noel existe”, em 2010, com Regina Casé.

Foto: Globo / Velho Chico / Caiuá Franco

O folhetim, escrito por Edmara Ruy Barbosa e Bruno Barbosa Luperi e dirigido por Luiz Fernando Carvalho, é uma saga familiar que atravessa gerações às margens do Rio São Francisco, e tem ápice no romance impossível entre Maria Tereza (Camila Pitanga), a filha de Afrânio, e Santo (Domingos Montagner). A emissora assim traz de volta ao horário nobre as histórias rurais, numa tentativa de fidelizar o público, que anda bastante desgostoso com as tramas realistas dos últimos anos.

Segundo Rodrigo, voltar ao gênero que o lançou era um desejo antigo, sempre adiado em função de seus compromissos profissionais nos Estados Unidos. Em setembro de 2015, veio o convite de Luiz Fernando Carvalho e, finalmente, tudo se encaixou. Na primeira fase de “Velho Chico”, ele interpreta Afrânio, um estudante de Direito em Salvador no fim dos anos 1960 que, com a morte do pai, o Coronel Jacinto (Tarcísio Meira), é convocado à fazenda pela mãe Encarnação (Selma Egrei). Essa encruzilhada do destino será também determinante para uma guinada moral do personagem, que deixará o idealismo de lado para se engajar nos propósitos da oligarquia rural da família.

Na verdade, Afrânio é o típico personagem do enredo nordestino. Trata-se de um coronel que ajudou a construir os currais eleitorais daquela região, tendo por isso mesmo uma estrutura psicológica densa, e em função disso o ator foi convocado, dada sua carreira consagrada e grande talento. Mesmo assim, sua participação tem data certa para terminar. O jovem Afrânio permanece apenas por 24 capítulos da primeira fase da trama. Em seguida, a ação se desloca para os dias atuais e quem assume o papel é Antonio Fagundes (por coincidência, os dois já viveram um mesmo personagem no cinema, em “A Dona da História”, em 2004).

Foto: Globo / Velho Chico / Caiuá Franco

Para Rodrigo, que gravou várias cenas em São Francisco do Conde, na Bahia, voltar a fazer novelas “já me fazia falta, mas, não vou ter a sensação real de uma novela, que fica seis, nove meses em cartaz. Como só consegui dois meses de liberação da HBO que, aliás, facilitou muito minha vida, participarei apenas dos 24 primeiros capítulos. Mas já vai valer a pena”.

Após concluir suas cenas em Velho Chico, Rodrigo voltou para Los Angeles, onde grava os três episódios finais de “Westworld”. Na série de J.J. Abrams e Jonathan Nolan, prevista para estrear este ano na HBO, ele contracena com Anthony Hopkins, Ed Harris e Evan Rachel Wood. Seu papel é central.

Rodrigo também exalta a direção de Luiz Fernando Carvalho, com quem já trabalhou no passado, em “Hoje é dia de Maria” 1 e 2, dizendo que com ele “é sempre um desafio. Ele incentiva a liberdade na criação do ator. Luiz modifica a rotina de gravação ao criar uma atmosfera livre, que permite um mergulho do elenco, mas sempre mantendo um eixo. E, como tenho muitas cenas para gravar, não tenho muito tempo para pensar, o que é um ótimo exercício para um ator”.

E embora Afrânio seja um personagem que promete dar muito o que falar, o ator revela que a semelhança entre ele e o fazendeiro é basicamente o prazer pela equitação: “Ambos gostamos de andar a cavalo (risos). Cavalgo desde criança, quando visitava a fazenda do meu avô. Mas Afrânio se revela um jovem romântico, que é obrigado a amadurecer por causa das responsabilidades que ele tem que assumir”.

Sobre o fato de interpretar o personagem que, em poucos capítulos, será vivido por Antonio Fagundes, Rodrigo brinca: “Isso já nos aconteceu no filme A Dona da História. É uma grande responsabilidade, não posso fazer feio (risos)”.

Além de sua participação em Velho Chico, provavelmente ainda este ano deve chegar às telonas brasileiras o último filme estrelado por Rodrigo nos Estados Unidos, Jane got a Gun, no qual contracena com Natalie Portman. Faroeste roteirizado por Brian Duffield, o projeto fez parte da Black List de 2011, dos melhores roteiros ainda não filmados. Com orçamento na casa dos US$ 20 milhões, promete ser imperdível!

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