Rosana Jatobá sustentabilidade até no nome

redacao 5 de dezembro de 2014 1

Foto: André SchiliróFormada também em Direito, a jornalista soteropolitana Rosana Jatobá trabalhou, por três anos, como advogada do Ministério Público Federal, porém, enquanto cursava Jornalismo foi convidada para ser apresentadora na TV Bandeirantes. Passou quatro anos na emissora e seguiu para a TV Globo, onde permaneceu por 12, e foi assim que descobriu o amor pela sustentabilidade. “Comecei a experimentar este universo como apresentadora e repórter do “Globo Rural”, tive a oportunidade de estudar temas relevantes ao agronegócio que impactam profundamente no meio ambiente. E na meteorologia do “Jornal Nacional”, aprofundei meus estudos sobre clima, a ponto de decidir fazer um mestrado na USP sobre Gestão e Tecnologias Ambientais”, relembra.

De forma natural Rosana tornou-se colunista de Sustentabilidade do “G1”, portal de notícias da Globo e, hoje, está mergulhada no assunto, possui um livro publicado com o tema, “Questão de pele – A terra como organismo vivo”, mantém três programas na Rádio Globo: “Tempo bom, mundo melhor”; “Globo Natureza” e “Conversa com a Jatobá”. Além de estar dedicada ao site “Universo Jatobá”, no qual aborda, com viés sustentável, temas como bem-estar, saúde, nutrição, beleza, maternidade, moda, espiritualidade, comportamento etc..

Não é à toa que Rosana carrega em seu nome o conceito e significado de seu trabalho: “Sou uma Jatobá! Um sobre­nome dado aos novos cristãos que vieram da Europa para o Brasil fugidos da perseguição aos judeus. E o Jatobá é a árvore que mais sequestra carbono da atmosfera. É a faxineira do ar! Existe um ditado judaico-cristão que diz que ‘quem dá o nome faz o homem’ e acho que tenho essa missão por estar de certa forma predestinada”, completa.

“SOU UMA JATOBÁ! UM SOBRE­NOME DADO AOS NOVOS CRISTÃOS QUE VIERAM DA EUROPA PARA O BRASIL FUGIDOS DA PERSEGUIÇÃO AOS JUDEUS. E O JATOBÁ É A ÁRVORE QUE MAIS SEQUESTRA CARBONO DA ATMOSFERA.”

Nas próximas linhas saiba um pouco mais sobre práticas sustentáveis de acordo com a jornalista!

EM DIA – Como surgiu o Universo Jatobá?
ROSANA JATOBÁ – Sempre quis me aprofundar na internet, pois entendo que é a grande mídia da mobilização e interatividade entre as pessoas. O tema sustentabilidade precisa deste tipo de plataforma para alcançar um grande número de pessoas. Aproveitei o sucesso da minha coluna no blog do “G1” e decidi ter o meu próprio site. O Universo Jatobá nasceu no dia 08 de abril de 2013 e já é uma das referências no tema. Estou bem feliz com os avanços e conquistas.

ED – Quem desenvolve o conteúdo do site?
RJ – Quatro jornalistas me ajudam no conteúdo, com total liberdade para abordar os temas, e duas equipes técnicas são responsáveis pelo marketing e estratégia digital. O objetivo é disseminar os conceitos da sustentabilidade, destacando atitudes simples que fazem a diferença. Abordo questões como reciclagem de lixo, poluição, desperdício de alimentos, consumo desen­freado, maus tratos aos animais, economia de água e energia até questões que afetam a qualidade das relações humanas, como violência, preconceito e desigualdade social. Também realizo muitos eventos corporativos, como palestras, apresentações e talk shows, a maioria abordando a sustentabilidade. Abraçar várias mídias significa trilhar o caminho da diversidade, que me traz mais gratificação, e no qual exercito a veia jornalística de forma mais profunda, me aperfeiçoando a cada dia e me especia­li­zando num tema que para mim é urgente: a sustentabilidade.

ED – Você acha que as pessoas entendem bem o que são ações sustentáveis?
RJ – Felizmente é cada vez maior o interesse das pessoas e da mídia pelo tema, sobretudo porque já faz parte da agenda de negócios das empresas e começa a se estabelecer como parte das políticas públicas. A TV aberta, por exemplo, tem um enorme poder nas mãos para acelerar esta conscientização, mas esbarra na natureza competitiva por audiência e muitas vezes não investe tanto no assunto, considerado árido e chato. Mas, aos poucos, a sustentabilidade vai ganhando contornos mais atraentes, sedutores e o papel dos jornalistas e formadores de opinião é exatamente este: transformar o assunto em algo sedutor, que promova o engajamento pela paixão, o ativismo pelo prazer de construir um mundo melhor e mais justo.

Foto: André SchiliróED – De maneira prática como definiria o tema?
RJ – Sustentabilidade é uma forma de estar no mundo, uma força capaz de mudar pensa­mentos, ações e hábitos no sentido de uma reinvenção humana. É um movimento que busca soluções para continuar utilizando os recursos que o planeta oferece, sem compro­meter o bem-estar das futuras gerações.
E cada um de nós pode e deve fazer sua parte.

ED – Qual a sua opinião quanto à crise de água no Estado de São Paulo?
RJ – A mais simples possível: a crise hídrica decorre da falta de visão e planejamento político. Como um país que tem a maior reserva de água doce do planeta e aquíferos gigantescos pode ter uma rede tão precária de distribuição de água? 40 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. E o pior: como podemos aceitar que 40% dos municípios brasileiros não estejam conecta­dos à rede de esgoto e 65% não tenham o esgoto tratado, sendo despejado in natura nos rios e no mar? Sem vontade política, não há saída. O problema é que são obras que ficam escondidas embaixo do solo e, por isso, não rendem votos.

ED – Acha que essa falta de água pode mudar a mentalidade das pessoas?
RJ – Se não for por amor ao planeta e à humani­dade, infelizmente será pela dor. A crise vem como ‘divisor de águas’ (com o perdão do trocadilho) e certamente mudará a forma como encaramos este bem tão precioso. Porém a consciência deve partir de todos.
Metade da água que passa pelas tubulações no País é desperdiçada por causa dos vaza­mentos. Então, o poder público tem enorme parcela de responsabilidade neste processo de uso racional da água. A socie­dade civil tem que fazer sua parte, mas trata-se de uma força-tarefa que envol­ve as esferas públicas e privadas.

ED – Por que, em sua opinião, as pessoas não se preocupam realmente?
RJ – Exemplo: Pessoas lavando o quintal de mangueira todos os dias…
O fator predominante é cultural. Fomos acostumados com a abundância, com a herança indígena de banhos demorados; e encaramos a água como um bem infinito. Mas com investimento em campanhas de conscientização, este cenário muda. Outra forma de mudar a mentalidade perdulária é o incentivo fiscal, como o governo de São Paulo está fazendo, quem economiza ganha bônus. Acho que funciona até mais do que multa pelo desperdício.

“COMBATO A IDEIA DO SOBROU, JOGOU FORA. TENTO REAPROVEITAR TUDO. ECONO­MIZO ÁGUA E ENERGIA E REFLITO BASTANTE SOBRE A QUESTÃO DO CONSUMO DESENFREADO, POIS QUANDO COMPRAMOS UM OBJETO, ESTAMOS LEVANDO PRA CASA UM PEDAÇO DO MEIO AMBIENTE, SEJA EM FORMA DE ENERGIA OU MATÉRIA-PRIMA”

ED – Que tipos de ações sustentáveis você pratica?
RJ – Procuro dar exemplos básicos de como fazer coleta seletiva de lixo, encaminhar para um posto de coleta e investir na alimentação orgânica. Creio que o desperdício de alimentos só agrava a desigualdade social e põe em risco a segurança alimentar no mundo. Por isso, combato a ideia do sobrou, jogou fora. Tento reaproveitar tudo. Econo­mizo água e energia e reflito bastante sobre a questão do consumo desenfreado, pois quando compramos um objeto, estamos levando pra casa um pedaço do meio ambiente, seja em forma de energia ou matéria-prima. E acho que repensar a forma de mobilidade urbana, usando mais a bicicleta e o transporte público, sempre traz grandes benefícios. Também faço ioga e meditação para cuidar do corpo e da alma, trilhando o caminho do autoconhecimento, sem o qual não conseguimos entender o nosso sublime papel neste mundo. Não sou xiita nem ecochata, pois sei que meu comportamento não é uma panaceia, a solução de tudo, mas se todos fizerem um pouco, teremos um exército transfor­mador.

ED – Como ensinar de forma eficaz o que é sustentabilidade para as crianças?
RJ – Elas são as protagonistas da revo­lução sustentável. Já vêm ao mundo com uma consciência ampliada sobre o tema e conseguem assimilar os exemplos dos mais velhos de forma rápida e eficaz.
A educação ambiental na escola é fun­da­­mental, mas o que ela vê dentro de casa surte um grande efeito.

ED – Com 18 anos de carreira, o que falta fazer?
RJ – Há muito para fazer ainda! Desejo ter uma vida longa pra experimentar coisas diferentes e desafiadoras. Quero continuar aprendendo línguas, fazer um curso de história da arte e viajar bastante. Talvez passar uma temporada fora do País, para aproveitar as oportu­nidades que existem nos negócios do meu marido… No curto prazo, pretendo lançar meu terceiro livro, projeto que já está fechado com a Editora Alta Books. Será sobre consumo res­ponsável, uma versão brasi­leira da série “Sustainability for Dummies”. Quero fortalecer todas as parcerias nesta área com projetos que tenham aderência com o tema. Trabalho também num projeto de TV sobre saúde e bem-estar.

Um comentário »

  1. Maria Eulália ap.vasto 11 de fevereiro de 2015 em 10:55 - Reply

    Excelente em todos os comentários, parabéns.

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