Tempo de Mudança

redacao 13 de dezembro de 2013 0

Foto: Divulgação

POR SUAS ATITUDES E DECLARAÇÕES, ELE GANHOU A SIMPATIA NÃO APENAS DE CATÓLICOS, MAS TAMBÉM DAQUELES QUE DEDICAM PARTE DE SEU TEMPO PARA FAZER O BEM SEM ESPERAR NADA EM TROCA.

A celebração natalina é baseada no amor ao próximo que Jesus veio nos ensinar, nos deixa mais sensíveis e desperta um certo desejo de solidariedade, independente de se ter ou não uma religião.

Diante deste clima de reflexão, a revista Em Dia traz como personagem de capa Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, que vem surpreendendo a todos com sua humildade, carisma e respeito ao próximo. O líder da Igreja Católica quebrou tradições, adotando um nome jamais utilizado na história da Igreja, além de ser o primeiro latino-americano, o primeiro não europeu e o primeiro padre da Companhia de Jesus, congregação religiosa dos jesuítas, a virar Papa.

VOTO DE POBREZA

Bergoglio já trilhava o caminho da humildade antes de se tornar Papa. Como bispo de Buenos Aires, andava pela cidade de metrô ou de ônibus e buscava levar a Igreja cada vez mais perto das comunidades da periferia.

Ao tornar-se Papa e prestes a realizar sua missa inaugural, pediu aos religiosos e a todo o povo argentino que realizassem gestos de caridade e não viajassem para Roma.

E seus atos de renovação só estavam começando. Ao invés de usar o tradicional anel feito em ouro, ele escolheu um de prata. Para sua vestimenta optou pelo branco, fugindo do vermelho e dourado. No dia a dia, utiliza um relógio simples de plástico e uma cruz de ferro que tem desde que se tornou bispo. Os outros papas costumavam seguir a tradição e usar apenas cruzes de ouro.

Ao assumir o papado, Francisco decidiu continuar vivendo no alojamento de funcionários do Vaticano, onde se hospedam cardeais e bispos, em vez de se mudar para o apartamento papal, no Palácio Apostólico.

UM LÍDER HUMILDE

Na Semana Santa, inovou mais uma vez ao ser o primeiro Papa a celebrar, em um centro corretivo de menores, a Missa do Jantar do Senhor da Quinta-Feira Santa. Na ocasião, lavou, secou e beijou os pés de 12 jovens reclusos, entre eles duas meninas, uma italiana católica e uma sérvia muçulmana, outro gesto que chamou atenção, visto que os apóstolos eram todos homens.

Em agosto deste ano o Papa recebeu de um padre italiano, tocado pelos esforços de Francisco de criar uma “igreja para os pobres”, um Renault 4, branco, 1984, o mesmo modelo que costumava dirigir na Argentina. Segundo um correspondente da BBC em Roma, os seguranças ficaram boquiabertos quando o pontífice pegou as chaves do carro e saiu dirigindo.

Contrário à ostentação de luxo e riqueza, o Papa doou uma Harley-Davidson para a Cáritas de Roma com que foi presenteado. O dinheiro obtido com a venda ou leilão do veículo será usado na reforma de um abrigo que funciona na estação central de trens e metrô da capital italiana.

Foto: DivulgaçãoESPERANÇA AOS JOVENS NA JORNADA

Durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que aconteceu entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro, todos puderam conhecer um pouco mais do carismático amante de tango e torcedor do San Lorenzo. Em sua visita pela cidade, ele passou pelas ruas com o vidro do carro aberto acenando para as milhares de pessoas que queriam vê-lo. E não hesitou em descer do veículo para saudar, abraçar e beijar os fiéis.

“A REALIDADE PODE MUDAR, O HOMEM PODE MUDAR. PROCUREM SER VOCÊS OS PRIMEIROS A PRATICAR O BEM, A NÃO SE ACOSTUMAREM AO MAL, MAS A VENCÊ-LO”.
Papa Francisco, discurso na favela da Varginha, no complexo de Manguinhos, zona Norte do Rio

PALAVRA DE QUEM ESTEVE POR LÁ

A administradora de empresas Ligia Passos Cardillo, de 26 anos, moradora do Morumbi e pertencente à Diocese de Campo Limpo, participou da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro no setor de Atos Protocolares, no qual tinha que distribuir água, orientar o público que chegava e os portadores de necessidades especiais, entre muitas outras funções, além de acompanhar o cerimonial ao lado de bispos e cardeais. “Estar no Rio durante a JMJ foi uma experiência surreal e o melhor era ver a admiração de todos pelo evento. Ouvir isso de pessoas que nem eram católicas também me fez perceber que o amor de Deus transcende tudo que nossa humanidade aqui é capaz de entender, não se trata apenas de uma religião, mas de ser cristão, de buscar seguir o que Cristo veio nos ensinar aqui”.

Foto: Divulgação

Já a estudante Beatriz Magalhães Santos, de 19 anos, moradora de Santana e participante do grupo de Jovens de Nossa Senhora, também foi voluntária da JMJ, sendo responsável por recepcionar os peregrinos, fazendo tradução do inglês, espanhol e português.

Quanto ao Papa, ela fala de sua aproximação com os jovens: “Francisco nos mostrou como temos que estar abertos para a juventude, pois é ela que vai fazer a diferença daqui a alguns anos. Ele prova que Papa não tem que estar somente ‘lá em cima’, na cadeira, e sim descer para o público. Penso que por ele ser Franciscano, tende a ser como a Madre Teresa de Calcutá, que falava não importar de onde vem a ajuda: católicos, não católicos, budistas ou espíritas… O que importa é estar e se sentir bem, ajudar ou participar de alguma forma. E ele tem muito disso”.

FORMAS PRÁTICAS DE DEMONSTRAR AMOR AO PRÓXIMO

Diante de tantos bons exemplos trazidos pelo Papa Francisco, não poderíamos deixar de lembrar de ações que, independente da religião, colocam em prática o verdadeiro sentido da palavra solidariedade.

“Nos dias de hoje temos uma cultura de nos voltarmos para nós mesmos. Mas, acho que solidariedade é um exercício de amor ao próximo, é voltar o olhar de uma forma especial, principalmente para os que passam necessidades”, afirma Izabel Maria de Vasconcelos Paiva, assistente adminis­trativa da Paróquia São Carlos Borromeu.

“SE UM GAY BUSCA DEUS, QUEM SOU EU PARA JULGAR. (…) DIGA-ME, QUANDO DEUS OLHA PARA UM GAY, ELE CONFIRMA A EXISTÊNCIA DESSA PESSOA COM AMOR, OU REJEITA E CONDENA ESTA PESSOA?’ NÓS DEVEMOS SEMPRE CONSIDERAR ESTA PESSOA. AQUI ENTRAMOS NO MISTÉRIO DA HUMANIDADE”.
Papa Francisco, trecho de entrevista ao padre Antonio Spadaro, publicada em agosto na revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica

DEDICAÇÃO E RESPEITO A QUEM PRECISA

No Tatuapé, Marilda dos Santos Lima é Pedagoga e Educadora Social e Super­visora Pedagógica do BOMPAR – Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Ela afirma que “o acolhimento e a solidari­edade têm como base a empatia, condição de compreender, respeitar e aceitar o outro com sua baga­gem, experiência e potencial de crescimento e transformação”.

Para ela a chegada do Papa Francisco parece a possibilidade de uma nova etapa evangelizadora da Igreja Católica, “ele nos lembra que Cristo está presente nos mais fracos e necessitados. Portanto, um caminho viável é recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraterna, cuidando das chagas corporais e espirituais do nosso próximo”.

Fundado em 1946, o BOMPAR é uma entidade filantrópica ligada à Pastoral do Menor, que desenvolve ações com foco na assistência a crianças, adolescentes, jovens, famílias, população de rua e idosos da região. Ao todo 1.300 funcionários estão envolvidos no trabalho, além de cerca de 200 voluntários.

A instituição supervisiona 54 unidades, sendo 19 creches, 21 Centros Educacionais Comunitários (CECs), cinco cursos de Qualificação Profissional, sete serviços de Acolhimento Institucional, um Centro Comunitário, um Albergue para adultos 24 horas, um projeto de acolhimento de famílias em situação de extrema vulnera­bilidade social e um núcleo de convivência para idosos. Além disso, os programas “A Gente na Rua” possui agentes comunitários de saúde que trabalham com pessoas em situação de rua e o “Acompanhante do Idoso” promove a saúde de moradores das regiões da Mooca e Vila Bertioga.

Foto: Jonathan HiginoDO ESPORTE À EDUCAÇÃO

Batendo um bolão fora dos campos, o ex-lateral-direito Cafu está há 11 anos à frente da Fundação que leva seu nome. A entidade sem fins lucrativos realiza mais de 1.600 atendimentos mensais a crianças e idosos, ajudando a combater a desigualdade social e oferecendo oficinas de teatro, música, arte e dança; brinquedoteca; esportes; cursos profissionalizantes, além de assis­tência odontológica, psicológica e fisiote­ra­­­pêutica.

Clique aqui para ver uma entrevista exclusiva com Cafu.

AJUDAR FAZ BEM

Para Vera Ruiz, presidente do Grupo Karde­cista Fraternidade do Amor, localizado na Mooca,“solidariedade significa auxiliar o próximo em um problema, seja ele social ou espiritual. É uma forma de traba­lharmos juntos, em função de algo ou alguém. A solidariedade faz de nós pessoas melhores, pois muitas vezes o problema do próximo nos ajuda a enfrentar nossos próprios problemas. Sem dúvida é uma troca. Isso nos traz um conforto, crescimento e aprendizado que dinheiro nenhum no mundo pode nos proporcionar”.

Sobre a figura do Papa Francisco, Vera o considera um revolucionário, já que usa uma linguagem própria, muito simples e objetiva. “Ele tem características muito claras de um missionário, que não tem receio algum em mergulhar na pobreza dos países por onde passa”, comenta.

Uma das principais contribuições da Fraternidade do Amor à sociedade é a difusão dos conceitos cristãos do amor, caridade e importância da família. Desta forma, a casa oferece suporte psicológico aos familiares e portadores de síndrome do pânico, transtornos mentais e de ansiedade, depressão, dependência química e auxilia outras entidades filantrópicas, por meio de doações recolhidas de seus frequentadores, direcionando-as a creches, abrigos e asilos, entre outros locais.

Com o intuito de levar um pouco de alegria e esperança a quem tanto necessita, no final do ano o grupo realiza o projeto “Nós Acreditamos em Papai Noel”. Com a campanha acontecendo desde outubro, até o fechamento desta edição já haviam sido arrecadados cerca de 1.400 kits/sacolinhas destinados à Casa de Apoio Vida Divina a Crianças Portadoras de Câncer de Ermelino Matarazzo, Grupo de Assistência aos Portadores de Câncer de Guarulhos, Associação Beneficente Pró Carente da Vila Formosa, Projetos Crianças Carentes de Vila Diva e da Mooca e Projeto Teixeirinha do Tatuapé.

Foto: Arquivo InstitucionalBUSCANDO OLHAR COMO JESUS

Membro da Igreja Batista Nova Comu­nhão, Ana Paula da Cruz Costa Gonçal­ves fundou e está à frente da Villa Kairós, uma instituição que atende pessoas em situação de rua. Embora receba apoio da igreja de sua fundadora, o trabalho possui caráter interdeno­mi­nacional, ou seja, que não se restringe a uma única igreja evangélica, recebendo apoio de diversas delas.

Quanto ao Papa Francisco, Ana Paula o considera corajoso por seu posiciona-mento diferenciado e define solidarie-dade como “ter íntima compaixão pelo necessitado. Olhar com o mesmo olhar de Jesus para estas pessoas e amá-las sem querer exatamente nada em troca. Doar-se para que elas possam ter um pouco de dignidade e respeito”.

O trabalho realizado na Villa Kairós consiste em uma Casa de Passagem, que devido a seu tamanho atende a, no máximo, 12 pessoas, onde jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social podem passar o dia, tomar banho e se alimentar. Também é oferecido um atendimento integral, que visa promover a reintegração da pessoa, por meio de profissionalização, educação, assis­tência psicológica, médica, odonto­lógica, social, material e religiosa. Quando há o caso de dependência química e o jovem deseja internação, ele é encaminhado a casas de recuperação parceiras. “A nossa visão é proporcionar um lar, que a pessoa possa desfrutar por um período de três anos e, durante esse tempo, estaremos preparando o cidadão para se reinserir na sociedade”, afirma.

A equipe de voluntários da instituição também realiza saídas para entrega de almoço a pessoas em situação de rua; trabalhos na Fundação Casa, antiga Febem, de Osasco; seminários de prevenção às drogas, além de treina­mento de capelania prisional. Para o Natal, especificamente, farão uma festa com os internos da Fundação Casa e seus familiares, incluindo também os funcionários de plantão. A ação aten­derá cerca de 400 pessoas.

SEGUINDO BONS EXEMPLOS

A ONG Meu Sonho Não Tem Fim trabalha com conscientização e motivação, tendo como base de seus projetos e ações sociais a divulgação do legado e exemplo de vida de “grandes sonhadores”, associando-os a virtudes distintas, como a cidadania de Betinho, a coragem de Martin Luther King, a perseverança de Beethoven, entre outras. A organização tem características específicas como não possuir nenhum vínculo financeiro, não ter política de patrocínio e não aceitar doações de nenhuma espécie.

 

Para ajudar e / ou saber mais sobre as instituições, entre em contato:

BOMPAR – Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto
Av. Álvaro Ramos, 366 – Belenzinho
www.bompar.org.br

Fraternidade do Amor
Rua Madre de Deus, 915 – Mooca
www.fraternidadedoamor.com.br

Fundação Cafu
www.fundacaocafu.org.br

Villa Kairós
Escritório: Rua Maquinista Trigo, 101 – Vila Paiva
Casa de Passagem: Av. Presidente Getúlio Vargas, 82 – Mogi Moderno – Mogi das Cruzes
Tels.: (11) 2312-2723 / 98595-0802
www.villakairos.com.br

Conheça o trabalho da ONG Meu Sonho Não Tem Fim em: www.meusonhonaotemfim.org.br

Deixe uma resposta »