Transtorno Bipolar do Humor: um inimigo silencioso

redacao 24 de outubro de 2012 0

Mudanças de humor bruscas, intensas e associadas a situações de estresse merecem atenção. Esta pessoa pode estar precisando da sua ajuda. O Transtorno Bipolar do Humor é uma doença cerebral que atinge até 3% da população brasileira.

É importante não confundir a doença com uma variação de temperamento que é normal para todo mundo. “Alguns dias podemos estar mais animados, alegres, com muita disposição; e em outros podemos nos sentir cansados, desanimados, irritados e mal-humorados. A oscilação do humor, portanto, é normal, o que vai determinar que esta situação se torne doentia é a intensidade e a profundidade dos estados eufóricos ou depressivos”, explica o psiquiatra Pérsio Ribeiro Gomes de Deus, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Os sintomas, neste caso, são duradouros e profundos. “Na fase depressiva existe a perda de interesse ou prazer em coisas de que a pessoa geralmente gosta, insônia ou sonolência, perda ou aumento do apetite, fadiga, dificuldade de pensar ou se concentrar, sentimentos de culpa e até pensamentos de morte ou de suicídio. Já na fase maníaca o humor será eufórico ou irritável, a autoestima inflada, e ocorrem comportamentos prazerosos que podem trazer problemas, como comprar excessivamente, envolver-se sexualmente de forma inapropriada e usar álcool e drogas”, afirma a psiquiatra Elisa Brietzke, da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp.

Quando esta alternância de comportamento persiste por mais de três semanas é hora de procurar um especialista. As mudanças podem estar relacionadas a uma doença grave. O índice de suicídio é 25% maior entre as pessoas que desenvolvem o Transtorno Bipolar.

Os sinais da doença ficam mais claros em pacientes na faixa dos 30 anos de idade. O diagnóstico será baseado na observação do seu comportamento, mas o médico também vai analisar o histórico de doenças na família. De acordo com o dr. Pérsio, “pode existir predisposição hereditária. E aí, no cérebro do doente vão ocorrer alterações bioquímicas em neurotransmissores, como a dopamina, a noradrenalina e a serotonina”.

O tipo de tratamento será escolhido de acordo com a intensidade dos sintomas. Mas o acompanhamento de um psiquiatra é fundamental. Nos casos mais severos pode ser recomendada a internação hospitalar. A dra. Elisa explica que “as medicações são estabilizadores do humor, como o lítio e o ácido valproico. Outros remédios como antidepressivos ou indutores do sono também podem ser usados. A psicoterapia ajuda o paciente a lidar com os episódios do humor, a se manter no tratamento, a reduzir ao máximo as consequências do acontecimento, a aliviar o sofrimento relacionado aos episódios e a reabilitar o paciente do ponto de vista educacional, vocacional e familiar”.

A doença também pode ser prevenida. Priorizar a qualidade de vida, com boa alimentação, prática de exercícios físicos e acompanhamento clínico regular, pode evitar que as manias se desenvolvam. E não custa lembrar: bons hábitos são a chave de uma vida saudável para qualquer pessoa.

Serviço:
Unifesp – www.unifesp.br
Universidade Presbiteriana Mackenzie – www.mackenzie.br

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