Videogame não é coisa “só” de criança

redacao 19 de dezembro de 2014 0

Foto: Divulgação

O que era visto como “brincadeira de criança” ampliou seu leque e, hoje, tem os adultos como principais consumidores. Foi-se o tempo em que jogar videogame era somente coisa de criança. Hoje homens, mulheres, jovens, adultos, solteiros e casados “disputam de igual para igual” o vício pelo aparelho eletrônico.

Não é à toa que o Brasil é o 4º maior consu­midor de games do mundo, conforme mostrou pesquisa apresentada pela consultoria GFK (Growth from Knowledge – Crescimento pelo Conhecimento, em português) em um evento preparatório para a “Brasil Game Show” do ano passado. Entre 2012 e 2013, as vendas de jogos subiram 25% no País, faturando mais do que nações como Reino Unido e Alemanha.

E, segundo a GFK, em 2013, o título mais vendido por aqui foi o consolidado “Grand Theft Auto V”, superando grandes nomes como “FIFA” e “God of War”. Para a professora do departamento de Antropolo­gia da USP, Dra. Silvana de Souza Nascimento, o gosto por esse tipo de diversão por parte dos adultos, em metrópoles como São Paulo, por exemplo, deve-se principalmente ao advento da Internet e está associado à facilidade de exercer a sociabilidade, conversar com amigos, desconhecidos e aprender coisas novas, tudo isso sem sair da poltrona de casa ou de uma lan house; ou ainda à possibilidade de construção de diferentes avatares – personagens de jogos criados pelos próprios jogadores que permitem sua personalização.

CASAMENTOS ATUAIS = MARIDO + VIDEOGAME

Em pleno século XXI, a figura daqueles maridos que chegavam em casa, liam o jornal e ficavam esperando o jantar, ficou para trás. Prova disso é o comerciante Douglas Gonçalves Papasidero, de 32 anos, casado, pai de três filhos que ama se distrair com um controle na mão. “Muitas vezes o pessoal aqui de casa fala: Não acredito que você já vai ligar isso!”, comenta o comer­ciante, aficionado por games desde os 8 anos, quando ganhou um Atari, e hoje mantém esse hobby que lhe proporciona uma sensação de prazer e muita emoção, além de funcionar como uma terapia para esquecer os problemas.

Douglas tem extremo cuidado com seu console e não permite que seus filhos joguem com ele, por isso cada um tem seu aparelho, apesar de não ligarem muito. E os momentos em família acontecem na hora de se reunirem para brincar com jogos de dança no Kinect, sensor de movimentos desenvolvido para Xbox 360 e Xbox One. Além desse tipo de jogo, eles adoram se divertir com os esportivos, principalmente os de futebol.

No final das contas, Douglas se considera um “viciado” nesse tipo de entretenimento, sendo que o hábito já o impossibilitou de participar de reuniões sociais, por exemplo. “Quando era mais novo, várias vezes minha família se reunia na casa da minha mãe e eu dava aquela escapadinha para jogar”, exemplifica.

Foto: Divulgação

O UNIVERSO FEMININO TAMBÉM JOGA

Agora, para aqueles que pensam que as mulheres não gostam de games, está na hora, definitivamente, de rever os conceitos. De acordo com um levantamento recente feito pela ESPM (Escola Superior de Propa-ganda e Marketing), elas gostam tanto de jogos quanto os homens e já cor­respondem a 41% dos gamers no Brasil. Segundo Pedro Waengertner, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios em Marketing Digital da instituição e criador da pesquisa, o resultado foi surpreendente, mas isso ocorre com maior facilidade graças à democratização dos aparelhos.

O mesmo estudo mostra que 81% das entrevistadas baixam jogos toda semana e preferem aplicativos gratuitos. Entre conso­les e jogos para tablet e celular, 22% delas preferem distrair-se com jogos de estratégia e, no topo da lista dos preferidos, está o “Candy Crush”.

A professora de Inglês Simone Correa, de 25 anos, comprova esta paixão, e joga desde os 9 anos, época em que ganhou de seu pai um Super Nintendo. Ela conta que seus alunos ficam espantados com tamanho amor por esse tipo de diversão enquanto o seu namorado acha o máximo. “Minhas alunas sempre questionam ‘você joga videogame, teacher? Não acredito!’”, esclarece. “Guitar Hero”, “Resident Evil” e “The Sims” aparecem em sua lista de preferências.

A Dra. Silvana observa que as mulheres demoraram a entrar nesse mercado. “Já estava na hora de isso acontecer”, diz.

A antropóloga explica ainda que elas estão cada vez mais flexíveis e, se elas estão no mercado de trabalho e de consumo, nas universidades, no mundo da ciência, obviamente estariam no mundo dos games. “Elas são versáteis e podem usar muitas tecnologias ao mesmo tempo”, conclui.

Serviço
USP
www.usp.br

ESPM
www.espm.com.br

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